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Slice novo

Fiz hoje a migração desse site para meu novo vserver no slicehost. Configurei o vserver às dez e pouco da manhã, instalei o que precisava (lighttpd, mysql, php, algumas bibliotecas) antes do meio-dia e à tarde trouxe alguns sites pessoais e de família. Processo simples e rápido.

Eu adoro ssh.

HQs

Hoje é dia do quadrinho nacional. Quero dar meus parabéns a essa geração de brasileirxs que está despontando agora - Grampá, Moon & Bá, Coutinho e outrxs. 

technoratiando

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Fabricando os sujeitos do capitalismo comunicativo (cognitivo?)

Encontrei esse parágrafo no relato de Trebor Scholz sobre a conferência The internet as playground and factory. Ele comenta a fala de Brian Holmes:

Holmes also asserted that ICT and education in the third world are “a factory for producing the subjects of communicative capitalism.” (Holmes, http://is.gd/1vKmr) Jonathan Beller supported this line of argumentation by drawing on classic media critiques, from Enzensberger’s “Anyone who expects to be emancipated by technological hardware or by a system of hardware however structured, is the victim of an obscure belief in progress" (1970) to Baudrillard’s "terrorism of the code" (1972). (Beller, http://is.gd/5iUSy) Holmes also suggested that focusing on the Internet may altogether distract us from the most important issues of our time.

É uma crítica fácil e de certa forma vazia (afinal, qual é a alternativa? abolir os programas de ICT?), mas não deixa de ser importante pensar no contexto mais profundo das coisas.

O reveillon das muitas barreiras - parte III

(continuando o causo que comecei a contar aqui e aqui)

O segundo dia do ano amanheceu aos poucos. Vi duas ou três vezes a luz do sol pela janela, mas não dei atenção. Contabilizava as sequelas - as pernas puxavam um pouco, nada de grave. A garganta estava pior - a curta noite anterior e a quantidade de chuva que eu tinha tomado tinham deixado sinais. Doía do fundo da boca até o ouvido esquerdo. Levantei, tomei uma colher de mel e voltei para a cama. Helicópteros passaram algumas vezes pelo céu.

Acordei de verdade com a Thalita me pedindo o telefone da pousada. Foi ao telefone público na vila para falar com o pessoal que estava lá. Também não conseguiu com o número que tínhamos, mas ligou pra Ubatuba, pediu pro pessoal entrar em contato com a galera na pousada para que ligassem de volta (o telefone público da Barra, felizmente, recebe ligações). Voltou um pouco tensa. O pessoal não gostou de ouvir que a estrada estava ruim. Ansiavam por roupas secas, sapatos, remédios, etc. Ainda estavam usando a roupa de festa de duas noites antes. Pediam ajuda.

Decidimos que uma parte da galera caminharia até a pousada levando os pertences básicos pra galera. Eu quis ficar por causa da garganta, me resguardando para os dias seguintes. Subiriam Thalita, Thyago e Daisy. Ainda acordando, aprontamos três mochilas o mais rápido que conseguimos, com as coisas do pessoal, água e o último pacote de biscoito de polvilho. Os três saíram. Fui lá atrás - no "queijo" - acenar para eles.

O reveillon das muitas barreiras - parte II

(continuação desse post)

A chuva havia parado totalmente. Percorremos o curto trecho de asfalto até a saída para a estrada de terra da Barra sem problemas. Em pouco tempo, paramos no mesmo lugar da noite anterior: um rio cruzava a estrada. Nem sinal do carro que estava lá na madrugada. Descemos para verificar se era possível atravessar. Peguei um pedaço de madeira para testar a profundidade. Em alguns pontos, chegava a meio metro. Em um passo equivocado, afundei tanto a perna que a bota encheu de água - encharcando de novo a meia que tinha secado pela manhã.

O vizinho com a Ranger, que nos acompanhou desde a pousada, tentaria passar primeiro - pela esquerda, que parecia mais tranquila. Como não sabíamos se poderíamos seguir em frente com os carros normais, Thalita e Irene iriam de carona na caçamba dele. Ele acelerou - até um pouco demais na minha opinião - e passou corcoveando. Decidimos tentar. A Ecosport do Ricardo passou fácil, a gente não teve problemas com o bom e velho Uninho, e nem o Michael com a Saveiro. Já o Gol da Irene passou, mas logo depois apagou. Tentamos empurrar, e nada. Abrimos o capô. É um saco chegar nas velas do Gol - para tirar o filtro de ar e o suporte dele, precisamos de uma chave de fenda - que felizmente um metarecicleiro sempre tem por perto ;). Mas as velas não pareciam ter molhado. Acabamos amarrando o Gol na Ecosport e seguimos jornada.

tentando dar um jeito no carro da Irene

O reveillon das muitas barreiras - parte I

O reveillon das muitas barreiras
ou
causo sobre a expectativa de retorno à rotina e aos planos
ou
saindo da rotina - e querendo voltar

Pela primeira vez em muitos anos, o grupo não passaria a noite de reveillon na roça. Reservamos uma mesa para quinze no restaurante Quebra Cangalha, quase na saída de Cunha. Nos encontraríamos no sítio nos dias anteriores, e iríamos todos juntos à cidade na noite de 31 de dezembro de 2009.

Sabíamos que nos esperava um ano intenso. Também sabíamos que a chuva caía forte e traria algum transtorno. A semana já havia avisado. Alguns dias antes, o Mauro precisou esperar o rio baixar em uma ponte, depois outra e mais uma. Chegou ao sítio com algumas horas de atraso. O comentário era que desde 1985 - o ano do Rock in Rio - não acontecia algo parecido. Sabendo disso, nossa saída para o reveillon na cidade contaria com alguns cuidados especiais - para percorrer os dez quilômetros de estrada de terra e outros dez de asfalto em quatro carros, levaríamos casacos impermeáveis, rádios de comunicação, duas cordas grandes e duas lanternas. A roupa de festa seria vestida depois que chegássemos a Cunha. Na ausência de galochas propriamente ditas, calcei as botas de neve que comprei em liquidação no dia mais quente do verão na Alemanha - 34 graus em uma cidade da Saxônia, ainda mais insuportáveis quando precisei provar o tamanho das botas. Também tomei o cuidado de deixar o celular carregado.

Notes from the field: E-waste in Brasil - Lixo Eletrônico and MetaReciclagem

A convite do editor Soenke Zehle, um artigo que escrevi com a Dani Matielo foi publicado no I-R-I-E journal, edição 11. O PDF completo da publicação está disponível aqui. A íntegra do nosso artigo está em anexo (PDF, 104kb, em inglês).

Santa casa

Ontem à noite, estava conversando na casa de amigos e comecei a me sentir mal. Tontura, palpitação, etc. Me levaram pra Santa Casa. Eu suava bastante. A pressão estava normal, mas minha pulsação estava acelerada e desritmada. De novo, como em 2004. Me deram um tal propanolol e diazepan, e fiquei um par de horas esperando fazer efeito. No fim, tudo voltou ao normal. Mas hoje vou num cardio pra começar a fazer todos os exames de rotina, etc. Vou ficar mais silencioso nas webs por uns dias.

Corisco

Domingo, que era meio de um feriado estendido, a gente saiu com vontade de escapar da movimentação praieira. Resolvemos dar uma volta na corredeira que termina na Casa da Farinha, no sertão da Fazenda. Um ônibus na saída da estrada já dava a dica. Passamos pelo moinho de farinha (onde sempre fica seu Zé Pedro, figura mítica do local) e tentamos chegar à saída pro rio. Impossível. Gente pra caramba. Perguntamos pra um local se a trilha do corisco dava acesso ao rio mais pra cima. Ele falou que sim, e que valia a pena. Desatamos a caminhar.

Depois de um quilômetro e meio trilha acima, já descalços - não tínhamos nos preparado para a trilha, fomos de chinelo e quando a lama começou a grudar acabamos levando os chinelos na mão -, percebemos que o som do rio ficava cada vez mais ao longe, e que subíamos cada vez mais. Resolvemos voltar e ali por volta da marcação de 1km nos metemos na mata em busca de um caminho pro rio. Acabamos encontrando, e foi uma delícia.

Ainda tivemos algum problema para conseguir voltar para a trilha - o caminho estava meio fechado - mas encontramos uma árvore linda e imponente nessa busca. Nosso amigo destroncou o ombro mas logo voltou ao normal. Eu tinha meus pés furados por espinhos, um dedo doendo por um chute e até ontem encontrei cinco carrapatos. Mas não troco por nada a sensação de entrar no rio.