felipefonseca's blog

Modo ranzinza

Temporada do serviço ruim.

Uma das primeiras coisas que eu providenciei na chegada a Campinas foi o acesso à internet. Me falaram bem sobre o virtua, vi uma promoção e liguei lá. No telefone a atendente me disse que se eu contratasse tv, internet e telefone, ganharia alguns meses de desconto e um roteador, "de graça". Topei. No dia que vieram instalar, o técnico configurou uma rede cujo essid era o número do meu apartamento. Perguntei pra ele qual era a senha de admin do roteador. Ele ficou mudo. Perguntei de novo, e nada. Achei que era surdo, deixei pra lá. No fim, ele me disse que a senha era a que estava escrita no papel. Entendi que aquela era a chave WPA. Perguntei sobre a senha do roteador, ele disse que era a mesma.

Assim que ele saiu, fui lá tentar acessar. Descobri que ele tinha me enganado: nenhuma combinação possível de usuário e senha conseguia entrar na porcaria de roteador que eles me deram (um "multilaser", supostamente funcionando no padrão wireless N). Em vez de fazer um hard reset e começar do zero, resolvi usar daquele jeito mesmo por algum tempo. Percebi que duas ou três vezes por dia, a rede simplesmente parava de funcionar. Algumas noites depois, de passagem pelo Carrefour para comprar fraldas e um microondas, vi um roteador TP-Link por setenta pilas. Não era padrão N, mas em uma conexão doméstica com poucos clientes o G costuma dar conta. Levei, em duas vezes.leia mais >>

Ritmo acelerado

Motores acelerados nos últimos tempos. Comecei o mestrado no Labjor, que tem me dado a oportunidade de ler coisas que eu desejava mas sempre deixava para mais tarde, e descobrir outras que eu desconhecia. Por exemplo, essa semana estou lendo Levi-Strauss, Robert Pirsig, Adam Kuper e Eric Wolf. O tempo é curto, tenho que aprender a disciplinar o momento da leitura e manter a concentração. Tudo deve ficar mais fácil quando terminar a mudança - pegamos um apartamento em Campinas, em São Quirino. Nas últimas semanas, rodei um monte pelas estradas de São Paulo - indo e voltando entre Campinas, São Paulo, Ubatuba e Cunha. Muita gasolina e pedágio, muito tempo atrás do volante, sem poder ler nem escrever. Mas acho que depois da Páscoa as coisas acalmam (um pouco). Estou também preparando o ninho - nesse fim de semana vou a Ubatuba buscar minhas companheiras de vida pra começar esse período.

Meu foco de pesquisa ainda está se definindo. Continuo interessado na emergência de práticas experimentais que flertam com a ideia de "conhecimento científico", mas aparentemente se posicionam fora do circuito acadêmico-industrial. Uma possibilidade é trabalhar em cima de espaços que se posicionam nessa fronteira arte-ciência-sociedade, e acho que isso tem uma relação forte com a perspectiva Rede//Labs.

Ainda entre as novidades: comprei uma televisão (talvez pela primeira vez na vida). Tenho canais a cabo, mas passo mais tempo usando as funções espertinhas do aparelho: entrada USB, cartão SD, cliente DLNA, etc.). No momento, ela toca música enquanto tento ler os textos da semana.

Câmbio e publico.

Doze

Mais um ano começando, com um mês de janeiro que passou bem devagar (em contraste com 2011, um ano acelerado). Nos primeiros dias de janeiro fiquei praticamente desconectado, em um sítio em Cunha: sem celular, sem TV, internet só uma vez por semana no centro da cidade. Bom pra estudar, passear com a bebê, cozinhar e relaxar. Em particular ler, e muito, aproveitando o Kindle que um amigo-irmão me deu de natal. Bem bom o aparelhinho - consigo ler páginas a fio, coisa que a tela de computador nunca me atraiu a fazer. Comecei a tirar o atraso da coleção de centenas de ebooks e artigos que se acumula no meu desktop. A maior parte deles eu consegui converter com o Calibre, mas alguns são mais problemáticos - em geral arquivos com duas colunas, ou muitas imagens. De todo modo já consegui aumentar meu ritmo de leitura.leia mais >>

Ciclo Novas Profissões

 Na quinta-feira da semana que vem estarei no Instituto Vivo, em Sampa, participando do debate sobre "novas profissões" mediado pelo Luiz Algarra. Não sei se eu tenho alguma nova profissão específica sobre a qual comentar, mas vou lá divagar um pouco. Mais infos no ning que eles montaram para o encontro.

Tempos e respirações

Eu postei ontem e hoje sobre dois vídeos produzidos pela KS12 com ênfase em depoimentos explorando futuros: do dinheiro e da arte. Achei interessante a metodologia, que mistura entrevistas com vídeos feitos em casa pelos próprios entrevistados. Mas os dois vídeos têm uma coisa em comum: tentei assisti-los enquanto fazia outras coisas e não consegui. Precisei sentar e dar atenção total a eles. Achei estranho, e só depois entendi o porquê: os depoimentos foram editados de tal forma que as pausas entre as ideias de cada entrevistado foram cortadas. Falta a respiração entre frases, aquela hesitação antes de propor uma linha de pensamento nova. Os dois vídeos são interessantes, mas têm em comum esse pequeno detalhe que pode ter afastado muita gente.leia mais >>

Sleep House - não entre mesmo!

Ano passado tivemos uma experiência ruim em uma loja metida a besta de São Paulo. Eu escrevi sobre isso, avisei a algumas pessoas e acabei esquecendo o assunto. Ontem recebi um comentário aqui no blog que ofereceu um contraponto, em linguajar belo:

VOCE COM ESSE SEU COMENTARIO DE MERDA DEVE SER UM BOSTA METIDO A RICO POR ISSO QUANDO QUISER COMPRAR BARATO VAI NA LOJA DE USADOS E COMPRA UM COLCHAO CHEIO DE PULGAS PRA VC DORMIR COM SUA MULHER OU ENTRA NA LOJA E JA EXPLICA PRO VENDEDOR O Q VC QUER SEU OTARIO

Então eu achei adequado terminar de contar a história. Como já escrevi antes, tentamos explicar o que queríamos para o vendedor, mas ele só queria saber da comissão que ia ganhar com o colchão de mola e não nos escutou (ou pior, fingiu que não escutou).

Naquele mesmo dia a gente saiu daquela loja de merda, ligou para uma amiga que tinha comprado um colchão no mês anterior e pegamos com ela a indicação de uma loja chamada Jabaquara Colchões, no Brooklin. Fomos até lá, onde nos atenderam muito bem e compramos um colchão bem razoável de espuma, que estamos usando sempre que vamos a sampa. Pagamos em três vezes, provavelmente porque eu sou um bosta metido a rico, e agora toda vez que os bostas metidos a ricos que eu conheço querem comprar colchões eu falo "não entrem na Sleep House". O comentário que essa pessoa publicou no meu blog só me deu vontade de voltar a um assunto que eu tinha esquecido. Valeu!leia mais >>

X10e - faminto por eletricidade

Estou usando há um par de meses um celular com Android, o Xperia X10e (que chegou no fim do meu inferno eletrônico). O aparelho é muito bom, transformou totalmente a maneira como eu acesso informação, tem uma câmera razoável, etc. Mas preciso repetir uma reclamação que já fiz antes: ele é um desastre no que se refere ao uso de energia. Eu cheguei a pensar que era meu uso intenso de redes wi-fi e 3G que fazia com que a bateria durasse tão pouco - o que em si já diminuiria a viabilidade dele como meu único aparelho para dias longos - mas o pior é que nem evitando essas coisas eu consegui um uso razoável. No mês passado precisei fazer uma viagem de bate-volta para São Paulo. Deixei o celular carregando a noite inteira até a hora de tomar o ônibus, pela manhã. Deixei a luminosidade da tela no mínimo, desliguei a rede wi-fi, configurei para ele usar somente a rede GSM (e não a 3G), e mantive desligado o GPS e o Bluetooth. Matei todos os aplicativos e usei somente o player de música, com a tela desligada a maior parte do tempo. Depois de quatro horas de estrada e dez minutos de táxi, cheguei ao meu destino quase sem carga na bateria!leia mais >>

Dispositivos móveis flexíveis

Essa retomada da Motorola com o Android está produzindo alguns frutos realmente interessantes. O celular Atrix (já avaliado pelo Engadget) vai um pouco na linha do que eu tinha proposto nesse post no blog da MetaReciclagem ("um cenário em que os telecentros não teriam CPUs - somente teclados, mouses e monitores. As pessoas levariam seus aparelhos com processamento próprio e utilizariam esses periféricos. Depois, poderiam levar os dispositivos para casa, para a escola, para o trabalho."). O Atrix é um potente aparelho modular com porta HDMI e acessórios muito interessantes: um o transforma praticamente em um laptop - tela de 11", mouse, teclado e bateria de longa duração. Outro é um dock com duas portas USB e uma saída HDMI, para ligar na TV e transformá-lo em estação de mídia. Eles também oferecem teclado e mouse sem fio, via bluetooth.

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Inferno eletrônico

No começo de novembro saímos de Ubatuba para alguns meses em São Paulo. Eu estava organizando um debate no Fórum da Cultura Digital e seguiria depois para um bate-volta a BH, para participar da abertura da mostra Gambiólogos. Depois disso, já havíamos planejado continuar em Sampa até pelo menos um mês depois que a Isadora nascesse. Antes de sair de Ubatuba, arranquei o HD do meu computador desktop (com todos os meus arquivos importantes) e o instalei dentro de um case externo.

Chegando em São Paulo, começou a zona. Meu celular, um nokia E71 (o fusca dos smartphones), começou a dar problemas. Não conectava, reiniciava sozinho, travava direto. Ainda dei um pouco de sobrevida a ele reinstalando (pela terceira vez em um ano) o firmware. Mas no fim de dezembro liguei pra TIM pra reclamar de alguma coisa da minha conta e acabei forçando a barra pra ganhar outro aparelho. Se fosse uns meses antes, eu até estaria disposto a arriscar o Nokia N900 por causa do maemo, com o qual eu já tinha brincado um pouco. Mas o relativo isolamento do sistema, a empatação eterna do Symbian e, por outro lado, algumas experiências que eu tinha feito com o Android me convenceram a dar uma chance ao robozinho. Perguntei pra moça o que eles tinham com Android e ela me ofereceu um "mailistoni dois". Eu tinha visto meia dúzia de geeks felizes com ele, e topei. Ela falou que chegaria em "sete a nove dias úteis".leia mais >>

Entrevista

Anteontem, passei algumas dezenas de minutos no telefone sendo entrevistado por Igor Prado para a Revista da Cultura. Entre os assuntos da conversa: gambiologia, MetaReciclagem, cyberpunk, hackerspaces e afins. Conversa de boa qualidade, serviu pra me recordar de algumas coisas nas quais não pensava havia algum tempo. Independente de como vai ficar a matéria, já fica meu agradecimento ao jornalista.