felipefonseca's blog

Doze

Mais um ano começando, com um mês de janeiro que passou bem devagar (em contraste com 2011, um ano acelerado). Nos primeiros dias de janeiro fiquei praticamente desconectado, em um sítio em Cunha: sem celular, sem TV, internet só uma vez por semana no centro da cidade. Bom pra estudar, passear com a bebê, cozinhar e relaxar. Em particular ler, e muito, aproveitando o Kindle que um amigo-irmão me deu de natal. Bem bom o aparelhinho - consigo ler páginas a fio, coisa que a tela de computador nunca me atraiu a fazer. Comecei a tirar o atraso da coleção de centenas de ebooks e artigos que se acumula no meu desktop. A maior parte deles eu consegui converter com o Calibre, mas alguns são mais problemáticos - em geral arquivos com duas colunas, ou muitas imagens. De todo modo já consegui aumentar meu ritmo de leitura.leia mais >>

Ciclo Novas Profissões

 Na quinta-feira da semana que vem estarei no Instituto Vivo, em Sampa, participando do debate sobre "novas profissões" mediado pelo Luiz Algarra. Não sei se eu tenho alguma nova profissão específica sobre a qual comentar, mas vou lá divagar um pouco. Mais infos no ning que eles montaram para o encontro.

Tempos e respirações

Eu postei ontem e hoje sobre dois vídeos produzidos pela KS12 com ênfase em depoimentos explorando futuros: do dinheiro e da arte. Achei interessante a metodologia, que mistura entrevistas com vídeos feitos em casa pelos próprios entrevistados. Mas os dois vídeos têm uma coisa em comum: tentei assisti-los enquanto fazia outras coisas e não consegui. Precisei sentar e dar atenção total a eles. Achei estranho, e só depois entendi o porquê: os depoimentos foram editados de tal forma que as pausas entre as ideias de cada entrevistado foram cortadas. Falta a respiração entre frases, aquela hesitação antes de propor uma linha de pensamento nova. Os dois vídeos são interessantes, mas têm em comum esse pequeno detalhe que pode ter afastado muita gente.leia mais >>

Sleep House - não entre mesmo!

Ano passado tivemos uma experiência ruim em uma loja metida a besta de São Paulo. Eu escrevi sobre isso, avisei a algumas pessoas e acabei esquecendo o assunto. Ontem recebi um comentário aqui no blog que ofereceu um contraponto, em linguajar belo:

VOCE COM ESSE SEU COMENTARIO DE MERDA DEVE SER UM BOSTA METIDO A RICO POR ISSO QUANDO QUISER COMPRAR BARATO VAI NA LOJA DE USADOS E COMPRA UM COLCHAO CHEIO DE PULGAS PRA VC DORMIR COM SUA MULHER OU ENTRA NA LOJA E JA EXPLICA PRO VENDEDOR O Q VC QUER SEU OTARIO

Então eu achei adequado terminar de contar a história. Como já escrevi antes, tentamos explicar o que queríamos para o vendedor, mas ele só queria saber da comissão que ia ganhar com o colchão de mola e não nos escutou (ou pior, fingiu que não escutou).

Naquele mesmo dia a gente saiu daquela loja de merda, ligou para uma amiga que tinha comprado um colchão no mês anterior e pegamos com ela a indicação de uma loja chamada Jabaquara Colchões, no Brooklin. Fomos até lá, onde nos atenderam muito bem e compramos um colchão bem razoável de espuma, que estamos usando sempre que vamos a sampa. Pagamos em três vezes, provavelmente porque eu sou um bosta metido a rico, e agora toda vez que os bostas metidos a ricos que eu conheço querem comprar colchões eu falo "não entrem na Sleep House". O comentário que essa pessoa publicou no meu blog só me deu vontade de voltar a um assunto que eu tinha esquecido. Valeu!leia mais >>

X10e - faminto por eletricidade

Estou usando há um par de meses um celular com Android, o Xperia X10e (que chegou no fim do meu inferno eletrônico). O aparelho é muito bom, transformou totalmente a maneira como eu acesso informação, tem uma câmera razoável, etc. Mas preciso repetir uma reclamação que já fiz antes: ele é um desastre no que se refere ao uso de energia. Eu cheguei a pensar que era meu uso intenso de redes wi-fi e 3G que fazia com que a bateria durasse tão pouco - o que em si já diminuiria a viabilidade dele como meu único aparelho para dias longos - mas o pior é que nem evitando essas coisas eu consegui um uso razoável. No mês passado precisei fazer uma viagem de bate-volta para São Paulo. Deixei o celular carregando a noite inteira até a hora de tomar o ônibus, pela manhã. Deixei a luminosidade da tela no mínimo, desliguei a rede wi-fi, configurei para ele usar somente a rede GSM (e não a 3G), e mantive desligado o GPS e o Bluetooth. Matei todos os aplicativos e usei somente o player de música, com a tela desligada a maior parte do tempo. Depois de quatro horas de estrada e dez minutos de táxi, cheguei ao meu destino quase sem carga na bateria!leia mais >>

Dispositivos móveis flexíveis

Essa retomada da Motorola com o Android está produzindo alguns frutos realmente interessantes. O celular Atrix (já avaliado pelo Engadget) vai um pouco na linha do que eu tinha proposto nesse post no blog da MetaReciclagem ("um cenário em que os telecentros não teriam CPUs - somente teclados, mouses e monitores. As pessoas levariam seus aparelhos com processamento próprio e utilizariam esses periféricos. Depois, poderiam levar os dispositivos para casa, para a escola, para o trabalho."). O Atrix é um potente aparelho modular com porta HDMI e acessórios muito interessantes: um o transforma praticamente em um laptop - tela de 11", mouse, teclado e bateria de longa duração. Outro é um dock com duas portas USB e uma saída HDMI, para ligar na TV e transformá-lo em estação de mídia. Eles também oferecem teclado e mouse sem fio, via bluetooth.

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Inferno eletrônico

No começo de novembro saímos de Ubatuba para alguns meses em São Paulo. Eu estava organizando um debate no Fórum da Cultura Digital e seguiria depois para um bate-volta a BH, para participar da abertura da mostra Gambiólogos. Depois disso, já havíamos planejado continuar em Sampa até pelo menos um mês depois que a Isadora nascesse. Antes de sair de Ubatuba, arranquei o HD do meu computador desktop (com todos os meus arquivos importantes) e o instalei dentro de um case externo.

Chegando em São Paulo, começou a zona. Meu celular, um nokia E71 (o fusca dos smartphones), começou a dar problemas. Não conectava, reiniciava sozinho, travava direto. Ainda dei um pouco de sobrevida a ele reinstalando (pela terceira vez em um ano) o firmware. Mas no fim de dezembro liguei pra TIM pra reclamar de alguma coisa da minha conta e acabei forçando a barra pra ganhar outro aparelho. Se fosse uns meses antes, eu até estaria disposto a arriscar o Nokia N900 por causa do maemo, com o qual eu já tinha brincado um pouco. Mas o relativo isolamento do sistema, a empatação eterna do Symbian e, por outro lado, algumas experiências que eu tinha feito com o Android me convenceram a dar uma chance ao robozinho. Perguntei pra moça o que eles tinham com Android e ela me ofereceu um "mailistoni dois". Eu tinha visto meia dúzia de geeks felizes com ele, e topei. Ela falou que chegaria em "sete a nove dias úteis".leia mais >>

Entrevista

Anteontem, passei algumas dezenas de minutos no telefone sendo entrevistado por Igor Prado para a Revista da Cultura. Entre os assuntos da conversa: gambiologia, MetaReciclagem, cyberpunk, hackerspaces e afins. Conversa de boa qualidade, serviu pra me recordar de algumas coisas nas quais não pensava havia algum tempo. Independente de como vai ficar a matéria, já fica meu agradecimento ao jornalista.

Social Media Week

Eu fui convidado a participar de um debate sobre "O social nas mídias sociais", hoje às 16hs, na São Paulo Social Media Week. As minhas distâncias atualmente são medidas em quanto tempo eu preciso ficar longe da minha filha. Entre ida a São Paulo, deslocamento dentro da cidade, debate, conversas posteriores e todos os atrasos imponderáveis no meio, eu calculei que seriam umas doze horas longe, e ainda voltaria cansado demais para ficar com ela depois. Declinei do convite, mas propus a meu anfitrião enviar um vídeo colocando algumas questões.
Fiquei rabiscando algumas ideias na madrugada passada. Entre insights, fraldas e mosquitos, acabei não conseguindo dormir mais do que duas horas. Pela manhã fui ali pra sala som gravar o vídeo, e estava cansado demais pra fazer alguma coisa que me dê orgulho. Mas saiu alguma coisa. Estou enviando o vídeo para o pessoal, e se amanhã ele ainda me parecer passável eu publico no iutube. Mas vai aí embaixo as anotações que eu fiz (mais uma cola do que um roteiro - não está lapidado nem editado).leia mais >>

Obrigado pelo convite. Não posso ir dessa vez.
Felipe Fonseca. @efeefe. Acho que fui convidado a essa mesa porque fui um dos criadores e sou até hoje integrante da MetaReciclagem.
A MetaReciclagem começou como um grupo de pessoas em um galpão na zona sul de São Paulo que consertavam computadores doados, instalavam linux e entregavam para projetos sociais. Desde então, a gente se espalhou - de forma descentralizada e autônoma - para todo o país. Desenvolvemos algumas dezenas de projetos relacionados a experimentação, arte, educação, inclusão digital, políticas públicas, produção cultural e pesquisa. Nós ganhamos _prêmios_ nacionais e internacionais. Possibilitamos que alguns _milhares_ de pessoas aprendessem a ter uma relação mais próxima com as tecnologias. E principalmente, a gente aprendeu muito, se divertiu pra cacete e conheceu muita gente interessante
Antes de mais nada: a metareciclagem não é uma recém-chegada às mídias sociais. Desde o começo usamos blogs, wiki, licença livre (provavelmente antes de muitos de vocês)...
Quero compartilhar algumas inquietações. A primeira é o uso da palavra "social" como substantivo. Esse social acaba virando um apêndice da economia de mercado. Em vez de transformação social, se tratra de redução de danos. Ativismo domesticado, controlado e inofensivo, desprovido de aspecto político e que  que não sugere nenhuma transformação profunda da sociedade. Pelo contrário, só corrobora as coisas como são e promove algum conforto para a culpa da classe média.
Classificar pessoas, conhecimento e ações em categorias pré-definidas é um requisito antes de tudo econômico. Mas É bom recordar que o social não é um mero pedaço da economia. É justamente contrário - a economia é parte da sociedade.
Se queremos entender e aproveitar todo o potencial da internet para promover um mundo melhor, temos que sair da lógica binária que diz que tudo que não tem o lucro por objetivo deve ser interpretada como caridade (ou perda de tempo). Essa dicotomia falsa acaba por afastar gente inovadora que poderia usar seu talento para uma sociedade melhor.
Por outro lado, as iniciativas que têm cunho filantrópico, de assistência e caridade precisam ir mais a fundo em como compreendem as mídias sociais. A internet não é somente mais um canal de captação de recursos e divulgação de causas. A sociedade está criando novos laços e novas formas de relacionamento através da rede. Eu sei que vocês gostam do case do obama, mas isso é só a ponta do iceberg. A lógica da adesão é um desperdício de potencial frente à lógica da participação (leiam isso).
Não devemos tentar reproduzir na rede os mecanismos dos meios de comunicação de massa: esforçar-se para conquistar adeptos, suplantar a concorrência e atingir um público-alvo anônimo é exatamente o que deu merda no século passado. Eu me preocupo quando escuto um gestor de projeto social falar em "administração profissional", porque frequentemente isso quer dizer tratar as pessoas como números, dar atenção demais às contas e desumanizar a relação. Em tempos de individualismo, superficialidade e alienação, essa não pode ser uma boa escola.
E um recado aos empreendedores que querem encontrar maneiras de melhorar a sociedade: venham. É muito trabalho e quase nada de dinheiro, mas a satisfação de ver o sorriso de uma pessoa cuja vida mudou para melhor vale mais que a conta bancária.
Valeu, continuamos a conversa nas redes.
Felipe Fonseca
@efeefe

Meus projetos para 2011

Agora que consegui mais ou menos situar o que eu penso sobre o que foi e o que vem, fica mais fácil elencar as prioridades da minha vida para esse ano.

No campo profissional:

  • Trabalhar um pouco na infralógica da MetaReciclagem. Em resumo: simplificar ao máximo o site. Eu fiz umas escolhas ali nos últimos anos que trouxeram um nível de complexidade grande demais. Resultado: cinco pessoas usam o site. Ao longo das próximas semanas, vou dar um gás nisso.
  • Fazer acontecer o Ubalab, implementando essa proposta aqui em Ubatuba (e também pensando no horizonte de um pólo de inovação local baseado em tecnologias livres, como sugeri nesse texto). Conhecer gente interessante em Ubatuba e arredores pra articular essas coisas. Tô dependo de umas respostas burocráticas pra saber quando começo. E sempre procurando parcerias em potencial. Bora?
  • Participar de alguns encontrinhos da MetaReciclagem e organizar um em Ubatuba.
  • Continuar com a produção do Mutgamb: participar das edições do Mutsaz a cada estação. Criar alternativas de financiamento. Estudar/desenvolver maneiras de editar ebooks com software livre. Propor/desenvolver alguns metalivros:
  • Montar um livrim com alguns dos meus textos.
  • Organizar um evento sobre internet das coisas, cena maker, protocolos abertos, infraestruturas genéricas, DIY, DIWO, inovação livre, shanzhai, hardware livre, laboratórios e pólos locais.
  • Continuar rabiscando textinhos.
  • Implementar o projeto MicroReciclagem.
  • Continuar a RedeLabs, com pelo menos uma publicação e outro encontro.

No canto doméstico:

  • Passar o maior tempo possível com minha amada e minha filha.
  • Terminar de construir meu quarto.
  • Descolar um carro pra ponte Uba-Sampa.
  • Ficar preto.
  • Tocar mais violão repetindo as mesmas músicas de sempre.

Para os futuros: juntar grana ou descolar uma bolsa pra fazer o mestrado na EGS.

PS.: tinha esquecido de mencionar MicroReciclagem e Redelabs. Agora foi.

PS2.: atualizei mais umas coisas... essa lista não acaba é nunca :Pleia mais >>