barcelona

Estado das coisas

Estou morando em Ubatuba, na costa norte de São Paulo. Menos por algum delirio cyberhippie de viver perto da natureza do que por uma necessidade de encontrar um lugar pra me estabelecer um pouco, parar de circular, e ter contato mais direto entre as coisas que eu faço e o resultado que elas dão no mundo. Em São Paulo tudo se aliena e se distancia. Em Porto Alegre, o tédio vem logo. Na Europa, bom... não me sinto em casa. Além de tudo isso, tenho também a intenção de aprofundar minha vivência cotidiana em grupo. Mas ao contrário de muitxs amigxs, não preciso criar esse tipo de experiência do zero: através da minha cúmplice, eu faço parte já há alguns anos da segunda geração de um grupo de pessoas que vive junto há mais de três décadas. Minha mudança pra Ubatuba é só uma explicitação desse lado. Fora que vou conhecer melhor os buracos e cantos escuros dessa cidade aqui, que eu freqüento há oito anos mas na qual nunca passei mais de 10 dias ininterruptos. Meus primeiros dias aqui, logo que chegamos de Barcelona, foram de pura crise orgânica: rinite, zumbido no ouvido, repouso forçado. Só agora chego de verdade à cidade. Tenho meus planos de médio e longo prazo aqui, mas até o fim do ano pretendo ficar só observando, pra entender melhor os ritmos. Mas certo que a MetaReciclagem vai chegar a Ubatuba.

***

Passei quase duas semanas em Porto Alegre. O suficiente pra encontrar alguns fios perdidos da minha formação, mas sem dar tempo suficiente para sentir o tédio que me fez correr de lá.

Em ritmo de irembora

Pois... quatro dias para deixar Barcelona e voltar ao Brasil. Cabeça acelerada demais pra blogar, então só passando geral por aqui. Há algumas semanas eu já tava pensando que tô voltando, chego dia 9 e meu passaporte expira no dia 12, chega de viajar. Aí uma amiga chegou de uma viagem pelo oriente & Rússia, trouxe uma garrafa da melhor vodka que eu já bebi e contou histórias e mostrou fotos. O Camboja me impressionou. Daí que parar de viajar ainda não. Mas de qualquer forma meus planos de vida são mais estáveis pros próximos tempos. Sacumé, em agosto completo trinta  voltas ao sol, as aspirações vão mudando. Devo a amigos, família e algumas coisas a resolver um mês que vou passar em Porto Alegre logo mais. Depois, ficar pulando entre Ubatuba, Cunha em São Paulo. Karma e Dharma, daquele jeito. Muitas idéias, pouca expectativa, como sempre.

Que mais? Semana passada, duas coisas marcantes: fomos a Figueres visitar o Teatro Museu Dalí. E finalmente chegou às lojas espanholas o Asus EEE.

O EEE é bem doido. Achei que ficaria mais decepcionado com o tamanho da tela e menos com o do teclado. De resto, só agüentei um dia até instalar o eeeXubuntu. Feliz aqui, só sentindo falta do atalho pra desligar o wifi, e o xubuntu desligar de verdade o bicho (nada que um sudo halt não resolva). Também não consegui fazer rolar o pd-extended, mas tá em processo.

O teatro-museu Dalí é chamado de maior obra surrealista do mundo. Não sei se é mesmo, mas impressiona. Não só pelo Retrato de Mae West, mas o retrato de Picasso, as gravuras, os estéreos e os hologramas pedem algumas horas de dedicação.

Brasilizando

Ontem e hoje eu e minha cúmplice levamos duas caixas, uma com 20kg e outra com 26kg, na agência dos correos. Tudo porque descobrimos, não sem alguma surpresa, que nossa passagem de volta pro Brasil só permite levar UMA mala de 20kg cada um. Pra quem passou um ano (shhh, não conte pros agentes de alfândega aqui...) longe de casa, vintequilos é ridículo. Daí que nos dispusemos hoje a levar os paquetes no correo. Difícil, debaixo do sol de Barça logo antes da siesta. Mas enfim, mandamos, e já tô me sentindo mais leve.

Na real não, tô me sentindo meio mal, por muito calor e pouco sono.

É, eu ando com insônia de novo.

É, tô voltando mesmo. Chego em sampa no feriado de 9 de julho (que segundo a tradição gaudéria é "quando a gente amarrou os cavalo no obelisco"), fico alguns dias, depois deixo minhas coisas em Ubatuba e logo mais parto rumo al Sur. Devo passar um mês em Porto Alegre, uma cidade que nem conheço mais (em outros termos, não sei mais onde beber).

É, tô trocando o auge do verão em Barcelona pelo inverno de Porto Alegre. Também acho. Mas é a vida, é bonita e é bonita.

Começando a arrumar as malas

Em exato um mês eu chego de volta a São Paulo. Barcelona responde com sol e calor. Até comecei a acordar mais cedo pra aproveitar melhor esse começo de verão.

Cat Power

Primeira vez que eu ouvi falar de Cat Power foi acho que em 99 ou 2000 numa coluna do Daniel Galera no COL. Na época fiquei curioso com a gringa desconhecida que tinha tocado num Garagem vazio, e como sempre gostei das recomendações musicais do Galera, fui atrás. Ela entrou desde então no meu playlist, e também repassei pra algumas pessoas especiais, entre elas minha cúmplice de vida. Semana passada, tivemos a chance de assistir à Cat Power ao vivo no Primavera Sound, aqui em Barcelona. Foi impressionante em alguns sentidos. Pelo que se conta, ela está saindo de uma fase de vida complicada. Estava com a voz fraca, sempre pedindo pro pessoal da mesa aumentar o volume do microfone. Teve um momento de atrito com a banda quando tentou continuar uma música e não a acompanharam. O show foi complicado, difícil de sair. Mas ela persistiu. No fim, não fez bis, mas voltou declarando repetidas vezes seu amor ao público (que era massivo) e distribuiu flores para quem estava mais próximo. Foi comovente. A gente tinha chegado cedo, estávamos na frente do palco. A sensação foi de ter participado de uma sessão de terapia coletiva para ela. Saímos satisfeitos, de qualquer maneira.

PS: Sim, também assistimos ao Portishead no Auditori. Mas nem vou comentar pra não dar inveja. Só pra dar o gostinho, gravei mysterons com o celular.

Manchesportugando no Gótico

Hoje à tarde encontrei Pedro Zaz e Vicky Sinclair em uma praça do gótico pra conversar sobre possibilidades de intercâmbio Brasil - África - Europa. Nada muito consistente por enquanto, mas algumas idéias interessantes aparecendo. Um ponto possível de convergência é o próximo Fórum Social Mundial, em Belém. A pensar.

Caos e dispersão no banco comum

Ontem participei do Mercado de Intercambios de Conocimientos, organizado no CCCB pelo Platoniq. O formato era muito interessante: três espaços contíguos, sem divisórias, rolando apresentações simultâneas. Cada painelista falava em um microfone, e na entrada a gente recebia um rádio com três canais. Perfeito pra quem, como eu, não tem paciência pra assistir palestras de mais de 10 minutos: ficava mudando de canal o tempo todo. Em uma hora e pouco assistindo, consegui pegar trechos de cinco apresentações diferentes, entre elas a do Guifi e do Dmitry Kleiner (Telekommunisten/Dialstation), que eu tinha conhecido em Berlim mas não tinha associado o nome à pessoa. Enfim, um formato bem doido pra quem tem essa mania de fazer tudo ao mesmo tempo. Gostei de assistir.

Mercado de Intercambio de Conocimientos Libres

Vou falar lá na sexta.

---

From: Platoniq
Subject: || Platoniq News || Taller guifi.net | BCC 2008
Date: Thu, 27 Mar 2008 17:02:09 +0100

Noticias de Platoniq:
(No english translation this time! sorry)

Se acercan las fechas del próximo Mercado de Intercambio de
Conocimientos Libres que organizamos en el Centro de Cultura
Contemporánea de Barcelona durante los días 3, 4 y 5 de abril.
http://www.bancocomun.org

El lunes enviaremos el programa completo de intercambios y actividades,
por el momento se abre la inscripción del taller que realizará Guifi.net.
http://www.guifi.net

3, 4 y 5 de abril de 18:00 a 20:00 horas
Centro de Cultura Contemporánea de Barcelona
c/ Montealegre 5 08001 Barcelona
Vestíbulo planta 1 (pasado el Hall)
Actividad gratuita
Inscripción: bcc@platoniq.net

¿Cómo funciona una red libre ciudadana?
¿Cómo montar una antena wireless?
¿Cómo compartir Internet en una comunidad de vecinos o en tu barrio?

Guifi.net es una red abierta wifi (sin cable) y gratuita que cubre 1000
km cuadrados de cobertura desde la comarca de Osona con más de 1000
nodos (antenas) activos. Es la segunda red inalámbrica no empresarial o
universitaria más grande del mundo y cubre las necesidades de usuarios
de zonas rurales con problemas de cobertura y acceso ADSL, allá donde la
administración o Telefónica no llega porque no es rentable. Dentro de

Apanhado

Esse blog anda silencioso, sim. Um monte de coisas passando. Desde há algumas semanas, estou trabalhando, junto com os antigos comparsas hdhd e Daltão, os comparsas recentes Wundo e Zé, e mais um monte de gente boa do Weblab do Lidec em alguns projetos de comunidades colaborativas online. Estou aprendendo um monte de coisas sobre o Drupal, que nos últimos anos ganhou tantos recursos que eu não tinha conseguido acompanhar. Isso me dá a oportunidade de retomar idéias antigas, como os dashboards e o tagging de usuárixs, que eu tinha imaginado em 2002 no meio das conversas do projeto Metá:Fora. Assim que tiver algo, comento aqui.

Outra coisa me aquietando é que há um par de semanas voltei a ter a combinação de dor no maxilar e de ouvido que me incomodou em janeiro. Fui no médico, que me encaminhou pro dentista, que me encaminhou pro Raio X, que me levou de volta ao dentista, que constatou que a chapa tinha deixado de fora exatamente meu maxilar direito. Ainda não sei o que é, embora haja uma suspeita bastante provável de que meu bruxismo tenha extrapolado dessa vez. Enquanto não tenho certeza, vou tomando três anti-inflamatórios por dia, e tem vezes que o estômago reclama.

Continuo, no ritmo possível, pesquisando tecnomagia e rabiscando historinhas por aqui. Publico quando estiverem consistentes. Têm a ver com o conto que o Sapo publicou há uns dias.

Voltando...

Pois é, a aletta ficou fora uns dias. Maus aí.

Resumindo as últimas semanas: fui pra Madrid a convite do Daniel Gonzalez pra falar no Medialab-Prado, junto com a programação do Arco, que esse ano homenageava o Brasil. Minha cúmplice me acompanhou, fomos e voltamos de trem. Ficamos num hostel aparentemente apoiado pela prefeitura chamado Mejía Lequerica, bem organizado e limpo. Gostei da cidade, apesar de realmente me sentir mais próximo de Sampa do que aqui, como me haviam falado. Era a primeira vez que eu falava em castellano, e não foi tão ruim quanto eu esperava. Também eram convidados o pessoal do LabOrg, Fetalcohol, Gengivas Negras, Retrigger e Reverse Tunes. Som legal, algumas coisas mais difíceis de escutar, alguns momentos de pulação. Fora da programação medialab-boteco-hostel, passamos horas dentro de museus: a coleção do museu Picasso da frança <a href=http://www.museoreinasofia.es/0208/>tava no Reina Sofía</a> (além de o museu abrigar El Guernica, que é mesmo de torcer os neurônios), e o Museo del Prado tava com uma mostra de <a href=http://www.museodelprado.es/pagina-principal/exposiciones/info/en-el-museo/fabulas-de-velazquez/>fábulas</a> do Velázquez.

De volta a BCN, passei mais tempo do que gostaria fazendo frilas, achei um livro interessante na biblioteca, essa semana ficou bastante nublado e choveu algumas vezes, o que me dizem que não é muito comum. Acompanhei à distância o campus party, e não senti muita falta de estar por lá. Me desinscrevi de um monte de feeds e twitters pra ter mais tempo pra ler. No momento, tô tentando escrever alguma coisa pro livro que vai sair em Salvador, pós-submidialogia3, e ainda coletando pedacinhos de uma tentativa de narrativa que me aparece quase toda noite antes de dormir.