barcelona

dispers... que que é aquilo ali na outra tab?

Nas segundas e terças-feiras, minha cúmplice está fazendo um curso em uma escola de quadrinhos. Eu geralmente a acompanho até lá e fico esperando a aula acabar em uma das deliciosas bibliotecas públicas municipais de Barcelona. Repeti essa rotina por algumas semanas. Levava comigo o pretovelho e sempre saía de lá tendo lido pelo menos um par dos PDFs que tenho tentado ler. Tem um clima legal lá, acho que tem uma faculdade por perto, as cadeiras são disputadas a tapa, sempre tudo cheio. E a seção de comics é delícia. Mas aí eu tentava e não conseguia o wi-fi. Fui ver e tinham cadastrado errado minha senha. Consertei. Resultado, consegui conectar e a velocidade é boa, mas... na última vez não li nenhum PDF. Não escrevi nada.

Quanto será que a rede me atrapalha?

Devaneio de domingo

Ontem a gente saiu pra dar um rolê no Fórum Social Catalão. Banquinhas e abaixo-assinados interessantes, alguns adesivos pra tampa do pretovelho (que essa semana recebe sua bateria nova e vira um computador portátil de verdade). Nas palestras, nada de muita novidade, não cheguei a assistir muita coisa, mas no geral deu pra sentir um pouco daquele clima do FSM. Peguei um documentário feito por um pessoal daqui, o Processo do Possível. Depois de assistir eu comento. Na cabeça, o tempo todo dialogando com o Mutirão da Gambiarra, que devo começar a agitar logo logo. Fiquei me perguntando o quanto a MetaReciclagem foi influenciada pela movimentação dos FSM. Que outro mundo? Outra coisa batendo na cabeça esses dias é o tema da mesa-redonda em Berlim, web 3.0 - conspirando pra manter a rede pública. Eu tenho relido um monte de loas e críticas ao hype de web2. A crítica poucas vezes se refere às mesmas coisas. Concordo em alguns pontos aqui e ali. Mas me preocupa um pouco os fundamentalismos. Qualquer pessoa que tenha se envolvido de verdade com projetos de transformação social ligados a tecnologia sabe que se não tiver um perfil no orkut e conta no messenger vai ser esquecido em dois segundos. Dá pra pensar nisso como um uso superficial da rede, voyeurismo de coluna social, entregar nossa capacidade de relacionamentos de bandeja pra servidores corporativos que no mínimo ajudam a mapear públicos-"alvo" pra publicidade online, e no limite entregam nossa privacidade pra agências e governos de maneira no mínimo suspeitas. Difícil pensar em um futuro interessante com isso. Será que a rede aberta, livre e com privacidade está definitivamente comprometida? Tô brincando de ficção com um desdobramento dessa idéia, mas meu ficcionador é bem mais lento que meu blogueiro.

É

Encontrei um novo amigo que não via há tempos, indicado por uma amiga em comum, e ainda sobrinho de outra grande amiga.

No mais, sem tempo de fazer tudo que eu queria fazer agora.

Nos jornais grátis que pego na rua: mão biônica, muçulmanos presos, queda das bolsas.

Exercício de moderação coletiva

tô ajudando o pessoal do Bank of Common Knowledge aqui em Barcelona.

Eles me pediram pra elaborar um exercício de "pedagogia
P2P", trazendo algum tipo de prática da web pra oficinas
presenciais, sem computadores. Aí comecei a rascunhar
um exercício que simula os sistemas de moderação coletiva
baseados em reputação/karma, como o do slashdot, plastic
e afins. Escrevi um textinho sobre o contexto, sobre tentar
encontrar um meio-termo entre a figura de um editor central
e a ausência total de moderação. E comecei a elaborar o
exercício, até chegar em um ponto em que acho que se
adicionar alguma coisa fica complexo demais, mas se não
adicionar o sistema não fica completo. E queria a opinião
de vocês sobre como terminar. Ou refazer tudo. Ou desistir.

Assim até agora:

1 Cada participante escreve alguma coisa em cinco pedaços
de papel.
2 Todos os pedaços de papel são colados em um mural que
tem cinco linhas: +2, +1, --, -1, -2.
3 Cada participante vai ler cinco textos de outras pessoas, e
pode movê-lo uma linha pra cima ou para baixo. Podem ser
textos que já foram avaliados.

Aí chega o ponto: pra ter um sistema de karma efetivo, as
pessoas que escreveram os textos mais bem cotados
deveriam ganhar pontos de moderação e poder influir
mais em outra fase. Também não sei sobre a economia
dos posts... se eu deixar as pessoas mexerem em mais
textos do que escreveram, desequilibra, mas pode ser
interessante.

Enfim, aberto a pedradas.
 Mandei na lista metarec.

A cidade continua generosa

E ontem fiz muito do que precisava e ainda fomos pegar um pôr do sol na praia. Encontramos amigxs, incluindo o marido de uma quase-prima que, descobri ontem, é lá de Santana do Livramento, fronteira com o Uruguay, onde eu passei muitas férias. Ele até conheceu a Padaria Fonseca, que era do meu avô, na Silveira Martins. Mas aí tava voltando pra casa, com duas garrafas de litro de Xibeca, e aqui embaixo, em frente ao latão de basura, um vizinho remexia em uma caixa. Paramos pra ver o que era... uma pilha de livros. O vizinho chegou antes e levou o filé, mas ainda consegui pegar umas coisinhas engraçadas e pelo menos um livro bom, "El corto verano de la anarquia: Vida e muerte de Durrutti", do Enzensberger. Mais um pra minha pilha de leituras.

Na cabeça hoje...

* Desenvolver um exercício offline que emule a lógica de moderação com karma de slashdot e afins.

* Desenhar a arquitetura de um site bem complexo.

* Folhear alguns dos livrinhos que eu catei ontem na biblioteca, entre eles uma História Social da Magia, um Aleph do Borges, o primeiro volume do Buda do Osamu Tezuka, um aprenda-você-mesmo Catalão e acho que mais um que não lembro.

* Ler alguns textos e postar mais umas referências no meu blogue escondido sobre tecnomagia.

* Dar um rolê na beira da praia.

* Assar um quilo e meio de costelas de porco com limão e hortelã, e devorá-las acompanhadas de algumas garrafas de litro de Xibeca. 

* Trocar todas as primeiras opções pelas duas últimas.

Borgelona

Um dia desses fui ao serviço de orientação jurídica pra estrangeiros. Cheguei por indicação de um funcionário do consulado brasileiro de Barcelona, que me disse que eu deveria ter pedido um visto espanhol ainda na Alemanha. Não me esforcei pra chegar cedo (não é um dom que eu tenha), então peguei minha senha pelas dez e pouco, quase onze horas. A menina na recepção disse que tinha bastante gente, demoraria pelo menos um par de horas. A multidão de estrangeiros era tão grande que não dava pra sentar nem nas escadas. Saí pela direita, caí na Plaça de Espanya, saí andando pelo bairro.

Dei um rolê pelo Raval, entrei em umas livrarias, passei no CCCB pra ver a programação do BAC, entrei em umas lojas de instrumentos musicais por ali - me apaixonei por umas miniguitarras, provavelmente pra crianças, uma delas réplica da Gibson SG. Voltei, e ainda faltava muito. Sentei no café ao lado do prédio, saquei o Ficções do Borges em Castellano que peguei da Biblioteca, reli alguns daqueles contos clássicos - as ruínas circulares, a loteria da babilônia, tlôn, uqbar e orbis tertius, funes... em algum momento fiquei devaneando sobre o artigo de Pedro Correa do Lago na Piauí. Lembrei do comentário dele sobre o Borges ter chegado bem vestido, me liguei que aqui em Barcelona os homens mais velhos são bastante vaidosos, sempre alinhados e bem-vestidos. Comparei isso com a Alemanha, onde tive a impressão que os velhinhos estavam sempre testando as últimas novidades em roupas de jogging e esporte.

pesquisando

Continuando a pesquisar possíveis relações entre tecnologia e magia. Um dia desses publicaram um comentário lá num post meu no metapub. Meio viagem, mas me fez pensar mais nas sociedades que promoviam(promovem) intercâmbio de conhecimentos chamados mágicos. Fiquei sabendo que Barcelona tem um monte de pistas maçônicas, e outras tantas de outros tantos. E um dia desses minha cúmplice de vida me fez lembrar do Mago do tarô. Conta a wikipedia:

O Mago, o primeiro arcano maior do tarô, é uma carta que representa um adolescente, que tem um longo caminho a percorrer. Normalmente, tem sobre a sua cabeça o símbolo do infinito, dadas as inúmeras possibilidades e oportunidades que tem à sua frente. Esta carta tem o número I e a letra hebraica ALEPH.

Prometo que um dia desses sai algum rascunho dos contos tecnomágicos por aqui. Meu cadernim tá lotado de anotações. A história tá crescendo... Tô lendo o Ficciones do Borges, pela primeira vez em Castellano e relendo alguns quadrinhos (me aguardam pra logo os Livros da Magia do Neil Gaiman).

Segue

Mais uma queda da Aletta, mais uns dias fora do ar. Vale.

Barcelona tem sido uma cidade generosa. Pessoas interessantes, lugares vivos, idéias flutuando por aí. Ainda não tenho um cartão do bicing, mas já tô conseguindo me mover por aí. Aparecendo uns bicos na hora certa - arrumar drupal, dar aulas de blog -, mas ainda com tempo pra sentar na praça e rabiscar sinapses. Coisa doida de uma sociedade de consumo sem tantas regras é que a cada par de dias a gente encontra na rua alguma coisa pra casa. Estamos vivendo com um amigo que antes estava sozinho em casa, não tinha mais móveis do que precisava. Já encontramos uma mesa, uma cadeira e um berço que virou suporte pra escrivaninha. Vi no centro comunitário aqui do lado um anúncio de uma mulher oferecendo de presente uma mesa de desenho que parece ideal pra Carol, devo buscá-la no fim da semana.

Sim, tô mais feliz do que na Alemanha. Só o que falta aqui é aquecimento na casa, porque apesar de a temperatura ser uns dez graus mais alta do que em Dresden, lá as janelas eram vedadas e tudo era quentinho. Mas tá valendo, minha infância em Porto Alegre foi também bem fria.

Notas sobre Barcelona

  • Ser consciente politicamente e ansiar por mudanças é motivo de orgulho.
  • Tem alguma coisa no ritmo da fala catalã que me lembra o português de portugal. Uma coisa de falar com a boca fechada, não sei.
  • Sair na rua é tropeçar em coisas interessantes acontecendo.
  • Barri Gótic é sim uma coleção de buracos de minhoca, mas tem turistas demais, mesmo em novembro.
  • Mediterrâneo. Fazem 13 anos que eu não moro perto do mar. O ar é outro.
  • As pessoas usam as ruas como sala de estar. Eu também.
  • Lá vem cliché, mas e daí? - Gaudí é de cair o queixo.
  • Preciso de um trampo leve, que pague razoavelmente e não exija muitas horas. E o doido é ter a impressão de que vai rolar.
  • Muitos espaços e muitas pessoas interessantes a conhecer.
  • Vou pra rua de novo.