brasil

Azaredo não

Tô com a cabeça muito a milhão em outras piras pra conseguir sentar e escrever, então repico aqui o post do sapo sobre o projeto do senador Azeredo sobre "cibercrimes":

Todo mundo já sabe que o projeto de lei é ruim (vago, inconsistente e exagerado) e que seus defensores sabotam a crítica adequada do texto na mídia. Já sabemos que os deputados e senadores são ignorantes em tema de internet, e que o argumento-fachada do combate à pedofilia e estelionato os cega convenientemente, assim como ao público preguiçoso, que continua a discutir lei no Brasil pelo que é anunciado e não pelo que está escrito de fato.

Já sabemos que a cultura de mobilização política na internet brasileira está a anos-luz da maturidade, e já sabemos que comemos mosca: tivemos ANOS para desqualificar seriamente este projeto de lei no governo. O que estamos fazendo agora, não se engane, é um ato desesperado para impedir que os mesmos barões de sempre ponham cabresto neste lindo mundo novo que aprendemos a alimentar diariamente com posts e compartilhamentos.

Em ritmo de chegada

Cheguei há alguns dias. Resolvendo um milhão de coisas, sem tempo pra escrever ainda. Surpreso com minha reação a São Paulo - gostei de chegar aqui. Mas não fico por muito tempo, o que é uma vantagem.

Quando der, mando um relato mais completo da viagem e seus percalços.

Daqui a pouco vou fazer a tradicional peregrinação à Santa If, a padroeira da comunicação eletrônica.

Ontem fiquei DUAS HORAS na loja da TIM pra descolar um aparelho + chip.

Hoje preparo uma feijoada.

Cultura colaborativa

Escrevi esse texto no fim de 2006 pra Brazine, uma revista bilíngüe que circula na Alemanha, Suíça e Áustria. Encontrei ele perdido numa pasta aqui. Não tem muita novidade (já tem uns sete anos que eu só me repito), mas republico aqui pelo registro mesmo.

Fagoemia

Há uns dias a Lelex encaminhou um email que o Márcio Jr. enviou pra uma lista, com um link para um artigo (PDF) que ele escreveu sobre "Digitofagia e Digitoemia". Achei bem interessante. Ele coloca uma distinção que eu não conhecia, entre sociedade antropoêmicas e sociedades antropofágicas:

Claude Lévi-Strauss faz a distinção entre dois tipos de sociedade, as que praticam a antropofagia — pois acreditam que a absorção de certos indivíduos detentores de forças temíveis é a única forma de neutralizá-las aproveitando-lhes a energia, tanto efetivamente quanto simbolicamente — e aquelas que praticam a antropoemia — e diante do mesmo problema escolhem como solução a expulsão do corpo social, mantendo temporária ou definitivamente isolados, sem contato com a “humanidade”, os seres e grupos temidos, trancafiados em “reservas territoriais”. Dada a situação em que nos encontramos podemos supor que nossa sociedade é antropoêmica ao invés de antropofágica e para isso basta olharmos para a situação de nossas periferias e o crescimento da população carcerária.

Achei bastante relevante pra relativizar essa coisa que muitos temos de associar tudo que vem do Brasil à antropofagia. É uma generalização errônea tratar o Brasil todo com oantropofágico. Mas ainda assim, também discordo da generalização contrária. Respondi direto pro Márcio:

Ovvio

É claro que muito do que eu falo sobre "Brasil" é uma idealização sobre minha própria personalidade. Criando auto-mitos, daquele jeito. Um jeito diferente de se fazer ao mesmo tempo de vítima e vencedor. Por outro lado, muito do que eu falo sobre "Europa" é também o que eu falo sobre as pessoas à minha volta que fizeram tudo certo: faculdade, carreira, seriedade, dinheiro.
Metade do que eu digo é ficção. Inclusive sobre mim mesmo.
Não, isso não é um demérito.

Processos criativos

Há algumas semanas a revista Época publicou uma entrevista com o Geert Lovink. Ele fala algumas coisas que fazem sentido, mas tem uma frase que não desceu redondo:

ÉPOCA – Por que o senhor critica os defensores da liberdade de cópia na rede?
Lovink – Acho que devemos fornecer meios para que a próxima geração da web ganhe dinheiro com ela, possa viver de seu trabalho e de sua criação. O problema é que o pessoal do software livre só pensa em trocar livremente seus programas. Nunca imaginaram como profissionais criativos poderão sobreviver quando nos movermos para uma economia baseada na internet.

Conversei com algumas pessoas e percebi que não fui o único que não gostou dessa frase, de alguma forma. Até faz algum sentido, mas não deixa de denotar uma falta de sensibilidade com o contexto: um comentário como esse publicado em algum ambiente onde haja familiaridade com o software livre, copyleft ou até creative commons poderia cumprir bem a função de crítica, mas numa revista como a Época (mesmo que ela não seja das piores no que se refere a tecnologias) pode ser um tiro pela culatra, matando debates antes de eles chegarem a nascer. Troquei uma idéia por email com o Geert, falando da possibilidade de coexistência de vários modelos econômicos. Falei do tecnobrega no Pará, perguntei se ele assistiu ao Good Copy Bad Copy. Ele publicou a resposta no blog dele. Traduzindo:

Usos das Tecnologias de Informação e Comunicação

P4olo Bruni avisou sobre uma série de reportagens no Jornal Nacional da Rede Globo sobre apropriação de tecnologias no Brasil. É complicado ter uma opinião definida - tem alguns exemplos interessantes ali no meio, mas um monte de clichês e preconceitos entremeados. Recomendo assistir, mas com a cautela de sempre.

Brasil eh social

Tem coisa que a gente sente, mas sempre tem 1 que duvida. Nessas horas eh util ter 1s cabecas-de-planilha pra mostrar como as coisas sao... achei isso no papagallis:

Pesquisa comprova preferência brasileira por blogs e redes sociais

No ranking dos países com o maior número de blogueiros, estimado em 170 milhões de internautas, o Brasil ocupa a terceira posição (5% acima da média mundial, em número absoluto sobre a população com acesso à web), com 5,9 milhões de usuários.

(...) 

A pesquisa confirmou que o Brasil, de fato, continua com o maior número de usuários de redes sociais (orkut, youtube), com o México na segunda posição.