bricolabs

Mexendo a rede

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efeefe no Bailux - Foto Daniel Pádua
Aproveitei a realização do Encontrão Transdimensional de MetaReciclagem (relato ), em Arraial d'Ajuda, para me aprofundar um pouco mais em possibilidades do que chamei aqui no Desvio de Plataforma Etérea. Além de uma pequena demonstração de síntese de voz no bailux (foto de Daniel Pádua, acima), passei uma tarde mexendo no sistema da Alix, instalando serviços locais. No outro dia, levei em frente uma mini-oficina de redes mesh (na verdade, mais uma demonstração de possibilidades do que qualquer coisa).

Acampamento de inverno

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Capa do RelatórioEm março deste ano o Institute of Network Cultures realizou o Wintercamp, em Amsterdam. O evento, baseado no referencial de "redes organizadas" de Ned Rossiter e Geert Lovink, tinha por objetivo reunir 12 redes colaborativas de diferentes partes do mundo, oferecer espaço para elas trabalharem por alguns dias e criar alguns cruzamentos entre elas.
Eu fui convidado por ser um dos fundadores da rede Bricolabs. Os dias lá foram bastante produtivos, não só dentro do espaço da bricolabs (cujos integrantes estavam também espalhados entre as outras redes). Relatei minha participação no meu blog.
A wintercamp gerou uma boa quantidade de documentação online, como era de se esperar. O chamado metagroup realizou uma série de entrevistas com integrantes das diferentes redes (disponíveis aqui, recomendo bastante). Um dos pontos altos da participação dos Bricolabs foi a apresentação final, que de forma meio caótica propunha uma crítica ao formato do evento, que por mais que tenha dado espaço a redes distribuídas manteve uma estrutura de cima para baixo nas apresentações. A base da apresentação foi a pergunta "where is our leader"? De fato, Rob van Kranenburg, que havia liderado as sessões, tinha ido embora no penúltimo dia.

HSF

Estou na comissão de seleção de projetos para o Hacker Space Festival, que acontece em Paris no mês que vem. Não vou participar, mas os projetos que estão aparecendo prometem. Nos próximos dias deve aparecer o programa no site. A quem estiver pela Europa e puder aparecer, recomendo fortemente.

Relato Paralelo 3 - Sessões

Tentando concatenar minhas anotações do Paralelo. Tomei notas no caderno e no computador, então pode ser que algumas coisas estejam fora da ordem. Outro risco que corro aqui é de escrever alguma besteira porque anotei porcamente, e esse post muitas vezes se trata de tentar interpretar o que rabisquei. Mas lá vai:

Domingo, cheguei pro brunch, participei do sociograma-no-papel, mas precisei fazer uma reunião rápida com Hernani e pixel, e acabei perdendo a sessão de abertura. Entrei no meio do primeiro painel, Reflexive energies, acho que na apresentação do Cícero Silva, do software studies, que parece tão institucional que não me atraiu muito.

Marcus Bastos trouxe a referência do livro Cradle to Cradle: remaking the way we make tools (McDonough e Braungart), que define o conceito de upcycle: usar material descartado para produzir novos produtos. A partir daí, tem uma piração de fazer produtos com polímeros que depois podem servir de matéria-prima para outros produtos. Lembrei da pira de possibilidades das reprap: impressoras 3d de baixo custo que trabalhem com esse tipo de polímero, "democratizando a fabricação de coisas". Segundo o Marcus, o próprio livro é feito com esse material. Mês passado, o Ivo do Waste.nl, tinha mencionado esse livro em uma conversa que tivemos em um intervalo de wintercamp. Vou atrás do livro.

Relato Paralelo 2 - gringotur

Uma das conseqüências indiretas do Paralelo foi um pouco de gringotur. Muitos dos convidados estavam no Brasil pela primeira vez, e não queriam gastar um vôo de longa distância só para conhecer São Paulo e mais nada. Eu mesmo recebi ou levei algumas das pessoas para passear.

Na semana antes do evento, vieram a Ubatuba Tapio Mäkelä, um pesquisador finlandês baseado em Manchester, e Annette Wolfsberger, austríaca que trabalha no Virtueel Platform em Amsterdam. Eu havia conhecido a Annette mês passado no Wintercamp, e o Tapio no Futuresonic de 2008. Indiquei para eles o hotel-pousada Dellamares, bem perto aqui de casa, no Perequê-Açu. Não é o visual mais fantástico da costa, mas é de frente pra praia, e ainda não tão longe do centro. Quem acorda cedo pode até ver o sol nascer no mar, um espetáculo.

Relato Paralelo 1 - prévia e entorno

Conheço Bronac Ferran desde 2006. Fomos apresentados em São Paulo, por indicação de Paulo Hartmann depois do primeiro Mobilefest. Poucas semanas depois, junto com mais algumas pessoas, já estávamos rabiscando o que viria a ser o manifesto que juntou pessoas na rede Bricolabs. Desde então, ela demonstrou bastante interesse no que estávamos fazendo no Brasil, e tivemos a oportunidade de fazer algumas coisas juntos. Ela convidou a mim e Jean Habib para participar da sessão (un) common ground no Picnic Network de Amsterdam em 2007, veio para a Submidialogia #3, me chamou junto com Ricardo Ruiz para o Systems of Learning no ano passado em Londres, e ainda levou José Balbino e Alê Freire para falar das Casas da Alegria na Transmediale desse ano, em Berlim. No fim do ano passado, ela também me chamou para colaborar com idéias e pedaços de texto em um levantamento sobre novas mídias no Brasil, encomendado pela Holanda. O levantamento foi lançado há algumas semanas por lá. Assim que me autorizarem, eu publico o PDF na rede.

Paralelo

Semana que vem estou em sampa participando do Paralelo - tecnologia e meio ambiente. Daqueles eventos cheios de gringo, ainda não sei bem como vão rolar as conversas por lá. Ajudei o pessoal a cadastrar um canal de irc no freenode para o lance: #paralelo.

Uma semana depois do wintercamp...

Algumas anotações, digerindo o wintercamp:

Um grupo ser networked, enredado, não significa que seja colaborativo, participativo ou coletivo. Existem redes de dominação, redes de privilégios, redes de violência. Olhando para alguns grupos que participaram do wintercamp, eu sinto que existe algo em comum com as redes que me são mais próximas. Mas esse comum não é a topologia das relações, o mero fato de organizarem-se em rede. Esse comum vai mais no sentido de uma ética, uma ética do estar e construir juntos, uma ética do compartilhar recursos, questões e oportunidades, uma ética do reconhecer-se como serumanx no olhar de outrxs serumanxs. Uma ética da humanização, do respeito, da confiança, do afeto. Essa ética só pode operar em rede: ela não sobrevive em ambientes centralizados ou autoritários. Mas o oposto não é verdade: nem toda rede reconhece ou segue essa ética. Nesse sentido, a retórica das redes pode ser tão vazia quanto a retórica do digital: também as redes, como o digital, podem prejudicar e desumanizar. Por estranho que pareça, também as redes podem servir a um tipo de egoísmo compartilhado e alienação semi-voluntária.

Wintercamp

Há alguns meses, eu já acompanhava a movimentação do Wintercamp como um evento extremamente potente, mas com alguma coisa estranha. Potente por conta das redes, algumas das quais eu admiro há tempos, como Dyne, Goto10 e Flossmanuals.

Nas semanas anteriores ao evento, houve alguma tensão sobre o formato na lista de discussão: questionamentos sobre as plenárias e a grade de horários bastante apertada. Devo dizer que a idéia das plenárias também me incomodou desde o começo: ecos da minha infância acompanhando o petê dos anos oitenta em Porto Alegre e aquelas discussões intermináveis sobre qualquer coisa que na verdade eram sobre território e supremacia.

Uma mensagem que circulou por outras listas também colocava algumas das questões do wintercamp: "O que vem depois da empolgação inicial? O que acontece depois que nos ligamos, encontramos colegas antigos, ficamos amigos e até nos encontramos? Enredar-se vai continuar sendo visto como um nível solto adicional de interação social ou os laços ficarão mais sérios? O que as redes fazem com nossa cultura a longo prazo? (...)". Algumas das perguntas me parecem de certa forma preconceituosas, uma visão européia sobre as redes como uma camada em cima da sociedade ocidental, o que acho que é só parte da verdade.