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Santa casa

Ontem à noite, estava conversando na casa de amigos e comecei a me sentir mal. Tontura, palpitação, etc. Me levaram pra Santa Casa. Eu suava bastante. A pressão estava normal, mas minha pulsação estava acelerada e desritmada. De novo, como em 2004. Me deram um tal propanolol e diazepan, e fiquei um par de horas esperando fazer efeito. No fim, tudo voltou ao normal. Mas hoje vou num cardio pra começar a fazer todos os exames de rotina, etc. Vou ficar mais silencioso nas webs por uns dias.

Corisco

Domingo, que era meio de um feriado estendido, a gente saiu com vontade de escapar da movimentação praieira. Resolvemos dar uma volta na corredeira que termina na Casa da Farinha, no sertão da Fazenda. Um ônibus na saída da estrada já dava a dica. Passamos pelo moinho de farinha (onde sempre fica seu Zé Pedro, figura mítica do local) e tentamos chegar à saída pro rio. Impossível. Gente pra caramba. Perguntamos pra um local se a trilha do corisco dava acesso ao rio mais pra cima. Ele falou que sim, e que valia a pena. Desatamos a caminhar.

Depois de um quilômetro e meio trilha acima, já descalços - não tínhamos nos preparado para a trilha, fomos de chinelo e quando a lama começou a grudar acabamos levando os chinelos na mão -, percebemos que o som do rio ficava cada vez mais ao longe, e que subíamos cada vez mais. Resolvemos voltar e ali por volta da marcação de 1km nos metemos na mata em busca de um caminho pro rio. Acabamos encontrando, e foi uma delícia.

Ainda tivemos algum problema para conseguir voltar para a trilha - o caminho estava meio fechado - mas encontramos uma árvore linda e imponente nessa busca. Nosso amigo destroncou o ombro mas logo voltou ao normal. Eu tinha meus pés furados por espinhos, um dedo doendo por um chute e até ontem encontrei cinco carrapatos. Mas não troco por nada a sensação de entrar no rio.

Chove

Quase preso pelas muralhas de água. Como um mar que vem de cima, inundando tudo, teste extremo de telhas & vedações. Roupas não secam, corpo não seca. O sol aparece, tímido, pela manhã (geralmente até cinco minutos depois da hora que a gente acorda). Mas vamos indo.

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Assumindo papeis diferentes na vida, nesses tempos. Juntando a vontade de fazer algumas coisas com responsabilidade coletiva e âmbito local.

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Ah, é! Alguém aí quer filhotes de cocker? Seli aqui:

http://tinyurl.com/filhotescuca

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Ubatuba tem alguns elementos recorrentes. A chuva, as bicicletas, os cachorros de rua e a mata. Cada elemento implica em um milhão de narrativas possíveis.

Filhotes

Ainda temos três dos uma filhote da cuca: um casal preto e uma fêmea caramelo. Eles nasceram no glorioso dia 26 de agosto (que também é meu aniversário). Já tomaram uma das duas vacinas e as duas doses de vermífugo.

Mais detalhes, e negociação pra quem tiver interesse, no anúncio que fizemos no Mercado Livre.

Ajude a divulgar, repassando o endereço abaixo:

http://tinyurl.com/filhotescuca

E novidade: um vídeo dos filhotes!

Vale-tijolo

Pra quem quer nos dar presente de casamento: estamos planejando para os próximos meses começar a constuir nosso quarto na casa aqui em Ubatuba. Pra isso, estamos aceitando ajuda em dinheiro. Não prometemos seu nome em uma placa de bronze, mas vamos te receber de bom grado para visitas, com café fresco e torta feita com as bananas do quintal.

Aceitamos contribuições em múltiplos de R$ 50, e elas são identificadas - nós vamos saber que você nos ajudou! Clique na casinha abaixo para enviar pelo pagseguro.

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Casei

No último dia 20, aqui em Ubatuba, sob os olhares de um monte de parentes e alguns amigos, eu e minha cúmplice de vida nos casamos. Algumas pessoas perguntavam "pra quê, depois de nove anos? vocês não precisam disso". Fato é que realmente não precisávamos, mas de fato queríamos. Como já comentei aqui nesse blog, eu me sinto parte de uma geração muito mais livre no sentido de inventar as próprias bases, sem precisar nem se submeter às tradições nem recusá-las totalmente. Preparamos um ritual remixado, dosando bem a reinvenção e a referência. Acho que no fim das contas conseguimos entregar pra pessoas com expectativas diversas o que elas queriam (e talvez só a gente tenha percebido que não era nem só uma coisa, nem outra). O stalker falou da carga irônica, e na hora não soube o que dizer. Eu não chamaria de ironia, mas talvez de representação ritual. A intenção não era a desconstrução, mas uma construção diferenciada.

Em determinado momento, fiz a chamada pelo brinde. Eu tinha anotado alguma coisa, mas não cheguei a ler. Como acredito que não haja registro em vídeo, vai a base do que falei abaixo (tirando todo salamaleque e agradecimento pela presença de todxs)

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Eterno rewind

Semana passada encontrei Hdhd, Drica Guzzi e Cacau Freire na apresentação de Lizbeth Goodman no centro brasileiro britânico, em Pinheiros. Em paralelo à apresentação em si, que trazia alguns projetos e idéias interessantes, me bateu muito forte um flashback.

Há quase sete anos, em uma noite fria de São Paulo, peguei um carro emprestado, uma Fiorino branca. Passei no Itaim para pegar um amigo e fomos para Pinheiros assistir a um debate sobre "internet móvel" no centro brasileiro britânico. Nela estavam umas pessoas da BCP e de outras operadoras. Elas só falavam sobre modelo de negócios e SMS. Não consegui acreditar que, com tudo que a gente ouvia falar sobre possibilidades fora do Brasil (em especial no Japão), os caras que estavam tomando as decisões nas poucas empresas brasileiras de telefonia móvel tinham uma visão tão limitada. No dia seguinte, conversando no ICQ com o amigo que tinha ido junto, decidimos fazer uma lista de discussão para conversar sobre as possibilidades mais amplas das tecnologias, não nos limitando a pensar em mercados ou IPOs. Ele sugeriu um nome. Estabelecemos uma lista de 15 pessoas a convidar. No dia seguinte, 12 delas estavam na lista.

Para, doxo

Paradoxo puro nao é mais que o próprio alimento do feiticeiro à beira da vila. Entre a obediência cega e a negação pela negação, ele prefere os caminhos tortuosos da margem. Submeter-se não é possível, destruir é... só destruir.

Eu já nasci filho da geração que veio contestar. Conseguiram muito, aquelxs heróisnas. Mas decidi que não preciso entrar em parafuso tentando encontrar qual seria a contestação da contestação. Posso até desconstruir tudo que está ao redor, mas como como autêntico antropófago pós-moderno, posso brincar de remixar mitos e tradições pra a) me divertir, b) ao mesmo tempo satisfazer e questionar entes queridxs. Dou-me ao luxo de, mais do que buscar um sentido em tudo, simplesmente viver. Sem deixar de lado a ironia, mas também sem descambar pro sarcasmo. No fim das contas, eu sou da terra, e gosto mais de construir (mesmo que do meu próprio jeito) do que desmontar.

Mapas

Sempre gostei muito de mapas. Andava com aqueles guias de impressos de cidades. Cada vez que vou conhecer uma cidade nova, dou uma sapeada nos mapas disponíveis, anoto lugares interessantes, e procuro me orientar em relação aos mapas. Uma certa sensação de reduzir a complexidade do ambiente, e poder ir direto ao que interessa. Mas até há alguns anos, mapas eram uma coisa inacessível e meio chata de manusear. A internet já prometia algumas coisas - a primeira vez que vi o mapa do metrô de londres ficou marcada, pela mistura maluca entre o online e o concreto. Lembro também quando o pádua criou o blogchalking, e depois quando piramos no blogchalking reverse . Aí veio o google maps, que realmente mudou o jogo. A primeira vez que procurei a rua em que eu morava também ficou marcada, assim como depois, quando comecei a explorar endereços do passado ou até partes das cidades em que morei que havia deixado de conhecer. Sensação doida.

No corre...

Blogando pouco ultimamente, mas não estou parado não. Pensando e articulando sobre caminhos, desvios e atalhos... começando a preparar o que vai ser a segunda edição do mutirão da gambiarra (e mais do que isso). Postando e costurando umas possibilidades de desdobramentos pro lixo eletrônico. Também acabei de montar o blog do blooks, que rola no Sesc agora em maio. Também esperando o resultado do prêmio de mídias livres do Minc (a gente inscreveu a metareciclagem) e dando uma força remota pra galera que está organizando o encontrão no arraial, em setembro. No meio-tempo, continuo a brincar com itinerâncias e mobilidade. Nos últimos tempos também fui convidado a fazer parte do conselho da revista A Rede, e estou na comissão de seleção de projetos pro Hacker Space Fest, em Paris (mas não tenho feito muito a minha parte nesta última)