lifelog

Começando a arrumar as malas

Em exato um mês eu chego de volta a São Paulo. Barcelona responde com sol e calor. Até comecei a acordar mais cedo pra aproveitar melhor esse começo de verão.

Paradoxando

Lendo aqui os amigos Dalton e Hernani no Le Monde Br:

A relação é paradoxal. A mistura, a miscigenação cultural resulta num processo de enriquecimento e empobrecimento, singularização e massificação, desterritorilização e reterritorialização, potencialização e despotencialização da subjetividade em todas as dimensões.

Ontem à noite, andando pela rua e ouvindo música no celular, pensava que depois de visualizar os paradoxos, a única posição decente é assumir e vesti-los. Viver em paradoxo. Porque não existe alternativa. Existe?

 

Paris

No fim de abril alguns fatores se juntaram e passamos uns dias em Paris, na casa de um quase-primo. Não vou repetir os tantos clichês possíveis sobre a cidade-luz. Dá vontade de ficar por lá bastante tempo, entre parques, bibliotecas, livrarias e a Sena. Rabisquei um monte no meu caderno, mas não vou digitar. Em uma frase: vale a pena.

 

Contra-preguiçar

Nos últimos dias, uma grande preguiça de escrever. Hoje, depois de uma noite curta, à preguiça se soma uma dor de cabeça, que esse vinho ácido aqui certamente não vai ajudar. Forço um pouco a barra pra manter o blog em dia e ver se pego no tranco. Idéias anotadas no caderno, mas tá difícil. Fico com o update genérico:

Apanhado

Esse blog anda silencioso, sim. Um monte de coisas passando. Desde há algumas semanas, estou trabalhando, junto com os antigos comparsas hdhd e Daltão, os comparsas recentes Wundo e Zé, e mais um monte de gente boa do Weblab do Lidec em alguns projetos de comunidades colaborativas online. Estou aprendendo um monte de coisas sobre o Drupal, que nos últimos anos ganhou tantos recursos que eu não tinha conseguido acompanhar. Isso me dá a oportunidade de retomar idéias antigas, como os dashboards e o tagging de usuárixs, que eu tinha imaginado em 2002 no meio das conversas do projeto Metá:Fora. Assim que tiver algo, comento aqui.

Outra coisa me aquietando é que há um par de semanas voltei a ter a combinação de dor no maxilar e de ouvido que me incomodou em janeiro. Fui no médico, que me encaminhou pro dentista, que me encaminhou pro Raio X, que me levou de volta ao dentista, que constatou que a chapa tinha deixado de fora exatamente meu maxilar direito. Ainda não sei o que é, embora haja uma suspeita bastante provável de que meu bruxismo tenha extrapolado dessa vez. Enquanto não tenho certeza, vou tomando três anti-inflamatórios por dia, e tem vezes que o estômago reclama.

Continuo, no ritmo possível, pesquisando tecnomagia e rabiscando historinhas por aqui. Publico quando estiverem consistentes. Têm a ver com o conto que o Sapo publicou há uns dias.

Voltando...

Pois é, a aletta ficou fora uns dias. Maus aí.

Resumindo as últimas semanas: fui pra Madrid a convite do Daniel Gonzalez pra falar no Medialab-Prado, junto com a programação do Arco, que esse ano homenageava o Brasil. Minha cúmplice me acompanhou, fomos e voltamos de trem. Ficamos num hostel aparentemente apoiado pela prefeitura chamado Mejía Lequerica, bem organizado e limpo. Gostei da cidade, apesar de realmente me sentir mais próximo de Sampa do que aqui, como me haviam falado. Era a primeira vez que eu falava em castellano, e não foi tão ruim quanto eu esperava. Também eram convidados o pessoal do LabOrg, Fetalcohol, Gengivas Negras, Retrigger e Reverse Tunes. Som legal, algumas coisas mais difíceis de escutar, alguns momentos de pulação. Fora da programação medialab-boteco-hostel, passamos horas dentro de museus: a coleção do museu Picasso da frança <a href=http://www.museoreinasofia.es/0208/>tava no Reina Sofía</a> (além de o museu abrigar El Guernica, que é mesmo de torcer os neurônios), e o Museo del Prado tava com uma mostra de <a href=http://www.museodelprado.es/pagina-principal/exposiciones/info/en-el-museo/fabulas-de-velazquez/>fábulas</a> do Velázquez.

De volta a BCN, passei mais tempo do que gostaria fazendo frilas, achei um livro interessante na biblioteca, essa semana ficou bastante nublado e choveu algumas vezes, o que me dizem que não é muito comum. Acompanhei à distância o campus party, e não senti muita falta de estar por lá. Me desinscrevi de um monte de feeds e twitters pra ter mais tempo pra ler. No momento, tô tentando escrever alguma coisa pro livro que vai sair em Salvador, pós-submidialogia3, e ainda coletando pedacinhos de uma tentativa de narrativa que me aparece quase toda noite antes de dormir.

dispers... que que é aquilo ali na outra tab?

Nas segundas e terças-feiras, minha cúmplice está fazendo um curso em uma escola de quadrinhos. Eu geralmente a acompanho até lá e fico esperando a aula acabar em uma das deliciosas bibliotecas públicas municipais de Barcelona. Repeti essa rotina por algumas semanas. Levava comigo o pretovelho e sempre saía de lá tendo lido pelo menos um par dos PDFs que tenho tentado ler. Tem um clima legal lá, acho que tem uma faculdade por perto, as cadeiras são disputadas a tapa, sempre tudo cheio. E a seção de comics é delícia. Mas aí eu tentava e não conseguia o wi-fi. Fui ver e tinham cadastrado errado minha senha. Consertei. Resultado, consegui conectar e a velocidade é boa, mas... na última vez não li nenhum PDF. Não escrevi nada.

Quanto será que a rede me atrapalha?

É

Encontrei um novo amigo que não via há tempos, indicado por uma amiga em comum, e ainda sobrinho de outra grande amiga.

No mais, sem tempo de fazer tudo que eu queria fazer agora.

Nos jornais grátis que pego na rua: mão biônica, muçulmanos presos, queda das bolsas.

Putz

Tinha ficado uns vinte minutos escrevendo um balanço de começo de ano. Chutei o cabo de força. Talvez escreva de novo mais tarde. Pra resumir: continuo com dívidas, com algumas boas promessas pro ano mas nenhuma confirmação sobre os projetos-xodó. Acredito ainda menos em trabalho (krisis). Mais depois.

Fim de ano

Desde a virada de 2000 pra 2001, essa é a época do ano em que eu me junto com um grupo de pessoas que a vida me ensinou a chamar de família e vou pro meio do mato, ficar uns dias sem comunicação com o mundo exterior (ok, de uns tempos pra cá passaram a fazer funcionar a parabólica, mas lá tem espaço suficiente pra se esconder também disso). E sempre tem aquela função, cozinhar pra três dezenas de pessoas, tocar violão e beber conhaque barato até não agüentar mais o frio à medida que a lenha queima na fogueira, fazer mutirão pra construir a mesa ou a churrasqueira, catar lenha ou o que mais precisar. E tocar tambor pra harmonizar com os santos todos que acompanham na vida. Nesse ano, tô a alguns milhares de quilômetros de distância. Bate, claro, a saudade. Mas sei que ano que vem a gente tá lá outra vez. E apesar do mundo (sempre) virando de cabeça pra baixo, algumas coisas vão continuar sendo o que deveriam.

Meu axé pra essa tribo bonita!