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Sobre sobre

No último post, aprendi algumas coisas: o Opera tem alguma relação bizarra com a barra de espaços e encarava todo o meu post como se fosse uma palavra só - alguns pontos a menos pra ele por isso; e estou escrevendo mal pra caramba. O melhor seria eu escrever todo dia, mas não vai rolar enquanto não terminar umas coisas aqui... só vou twittar de vez em quando.

A cidade continua generosa

E ontem fiz muito do que precisava e ainda fomos pegar um pôr do sol na praia. Encontramos amigxs, incluindo o marido de uma quase-prima que, descobri ontem, é lá de Santana do Livramento, fronteira com o Uruguay, onde eu passei muitas férias. Ele até conheceu a Padaria Fonseca, que era do meu avô, na Silveira Martins. Mas aí tava voltando pra casa, com duas garrafas de litro de Xibeca, e aqui embaixo, em frente ao latão de basura, um vizinho remexia em uma caixa. Paramos pra ver o que era... uma pilha de livros. O vizinho chegou antes e levou o filé, mas ainda consegui pegar umas coisinhas engraçadas e pelo menos um livro bom, "El corto verano de la anarquia: Vida e muerte de Durrutti", do Enzensberger. Mais um pra minha pilha de leituras.

Na cabeça hoje...

* Desenvolver um exercício offline que emule a lógica de moderação com karma de slashdot e afins.

* Desenhar a arquitetura de um site bem complexo.

* Folhear alguns dos livrinhos que eu catei ontem na biblioteca, entre eles uma História Social da Magia, um Aleph do Borges, o primeiro volume do Buda do Osamu Tezuka, um aprenda-você-mesmo Catalão e acho que mais um que não lembro.

* Ler alguns textos e postar mais umas referências no meu blogue escondido sobre tecnomagia.

* Dar um rolê na beira da praia.

* Assar um quilo e meio de costelas de porco com limão e hortelã, e devorá-las acompanhadas de algumas garrafas de litro de Xibeca. 

* Trocar todas as primeiras opções pelas duas últimas.

Borgelona

Um dia desses fui ao serviço de orientação jurídica pra estrangeiros. Cheguei por indicação de um funcionário do consulado brasileiro de Barcelona, que me disse que eu deveria ter pedido um visto espanhol ainda na Alemanha. Não me esforcei pra chegar cedo (não é um dom que eu tenha), então peguei minha senha pelas dez e pouco, quase onze horas. A menina na recepção disse que tinha bastante gente, demoraria pelo menos um par de horas. A multidão de estrangeiros era tão grande que não dava pra sentar nem nas escadas. Saí pela direita, caí na Plaça de Espanya, saí andando pelo bairro.

Dei um rolê pelo Raval, entrei em umas livrarias, passei no CCCB pra ver a programação do BAC, entrei em umas lojas de instrumentos musicais por ali - me apaixonei por umas miniguitarras, provavelmente pra crianças, uma delas réplica da Gibson SG. Voltei, e ainda faltava muito. Sentei no café ao lado do prédio, saquei o Ficções do Borges em Castellano que peguei da Biblioteca, reli alguns daqueles contos clássicos - as ruínas circulares, a loteria da babilônia, tlôn, uqbar e orbis tertius, funes... em algum momento fiquei devaneando sobre o artigo de Pedro Correa do Lago na Piauí. Lembrei do comentário dele sobre o Borges ter chegado bem vestido, me liguei que aqui em Barcelona os homens mais velhos são bastante vaidosos, sempre alinhados e bem-vestidos. Comparei isso com a Alemanha, onde tive a impressão que os velhinhos estavam sempre testando as últimas novidades em roupas de jogging e esporte.

Passando

Cabeça a milhão nos últimos dias. Muita coisa pra escrever, mas não tá rolando blogar. Até que tenho cadernado bastante (do verbo cadernar - blogar em papel), mas quando chego no computador acaba que sou tomado por outras coisas. Resumindo: as leituras da semana continuam; o universo tecnomágico continua me aparecendo em histórias a serem contadas (ou uma história com desobramentos, mas a base é a mesma); e eu tô tendo um flashback da infância a cada noite, o que tem me feito gastar folhas extras do meu caderno novo com papel milimetrado. E tô brincando com o drupal outra vez. Mas não, ainda não vou parar pra escrever de verdade aqui. Foi só visita rápida.

Segue

Mais uma queda da Aletta, mais uns dias fora do ar. Vale.

Barcelona tem sido uma cidade generosa. Pessoas interessantes, lugares vivos, idéias flutuando por aí. Ainda não tenho um cartão do bicing, mas já tô conseguindo me mover por aí. Aparecendo uns bicos na hora certa - arrumar drupal, dar aulas de blog -, mas ainda com tempo pra sentar na praça e rabiscar sinapses. Coisa doida de uma sociedade de consumo sem tantas regras é que a cada par de dias a gente encontra na rua alguma coisa pra casa. Estamos vivendo com um amigo que antes estava sozinho em casa, não tinha mais móveis do que precisava. Já encontramos uma mesa, uma cadeira e um berço que virou suporte pra escrivaninha. Vi no centro comunitário aqui do lado um anúncio de uma mulher oferecendo de presente uma mesa de desenho que parece ideal pra Carol, devo buscá-la no fim da semana.

Sim, tô mais feliz do que na Alemanha. Só o que falta aqui é aquecimento na casa, porque apesar de a temperatura ser uns dez graus mais alta do que em Dresden, lá as janelas eram vedadas e tudo era quentinho. Mas tá valendo, minha infância em Porto Alegre foi também bem fria.

Coisas ocupando-me a mente agora

  • Descolar uns trocados. Quer um site em drupal aí?
  • Fazer rolar o Mutirão da Gambiarra. Ainda não tem link, porque tô pra armar ele direitinho. Em resumo, é um esforço pra organizar uma comunidade editorial metarecicleira pra:
    • Coletar e organizar a documentação gerada desde 2002;
    • Traçar ecos conceituais, sistêmicos, metodológicos e políticos relacionados à MetaReciclagem;
    • Brotar ficção metarecicleira.
  • Escrever a história aquela do mano aquele, primo do Vitorio, que tropeça num totem tecnomágico (e esse nome é bem ruim) e umas outras coisas acontecem.
  • Fazer um totem tecnomágico e chamar de arte pra descolar uns trocados.
  • Rabiscar o projeto que diz que residência é besta, que o esquema é itinerância, e pedir um carro pra dar um rolê pra metareciclar os transportes.
  • Começar a planejar a volta pra montar uma escola de inventores em Ubatuba.
  • Escrever listas e listas porque o tinymce tá funcionando.

Ironia

Pootam3rd4. Passei o dia com uma questão na cabeça.

Ironia é uma delícia, mas cada vez mais percebo que a galera não entende. Leva a sério, e aí phodeu. 

Interstício

Pedagogical Faultlines acabou, e me deixou com mais de uma pergunta a ser respondida com o correr do tempo. Agora é tentar dormir bastante, amanhã mudar pra outro hotel e preparar a apresentação pro (un) common ground, na terça-feira. Bom é que já chego lá com a mente atordoada, o que pode não ser tão ruim, em se tratando de uma tentativa de entender e promover colaboração (mas olha que merda, só tô escrevendo porcaria).

E ainda fiquei sabendo hoje que o Murilo tá pra aparecer em Amsterdam também. Doido é ter memórias dessa cidade sempre com um monte de aliadxs em volta.

Nem

Pois já fazem alguns anos que deixei de acreditar no ceticismo.