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Ethereum

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E ainda um pouco mais do Techgnosis de Erik Davis, em tradução livre.

À medida que o mesmerismo perdia a popularidade na Europa do século XIX, ele se tornava uma verdadeira febre nos Estados Unidos. Milhares de pessoas se submetiam às mãos magnetizantes de mesmeritas andarilhos para seu reumatismo, dores menstruais, enxaqueca e melancolia.  (…) Ao mesmo tempo, mesmeritas mais sérios estavam penetrando os miríades de dimensões da consciência humana, e explorando linguagem quase eletromagnética a cada passo. Escalando um arranha-céus neoplatônico de estados alterados, pacientes mesmerizados (hipnotizados) contavam ter sentido “sensações de formigamento” ou “vibrações” fluindo através de si. Alguns experimentavam “ondas de energia” e viam auras de luz. Nos transes mais profundos, algo como consciência cósmica aparecia, à medida que a mente do paciente, dizia-se, alcançava a identidade com a própria força do magnetismo animal. Clarividência, telepatia e outras singularidades paranormais surgiam – fenômenos que o mesmerita Stanley Grimes atribuía ao ethereum, uma “substância material ocupando espaço, que conecta os planetas e a terra, e que comunica luz, calor, eletricidade, gravitação e emanações mentais de um corpo para outro e de uma mente para outra”. Perceba-se que, juntamente a forças físicas, o ethereum de Grimes também comunica “emanações mentais” – ou seja, informação.

Fluidium

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Ainda no Techgnosis, pp. 57/58, em tradução livre.

Sem dúvida, o mago supremo da cura magnética era Franz Anton Mesmer, conhecido hoje ora como rei dos charlatães ora como o homem que sem querer deu origem à psicanálise. Nascido em 1732, Mesmer obteve seu título de doutor pela Universidade de Viena, onde escreveu sua dissertação sobre a influência dos planetas no mundo terreno. Para explicar como as forças astrológicas poderiam produzir ação à distância, Mesmer postulou um fluido sutil que ele chamava fluidium, um meio diáfano que comunicava vibrações lunares para as marés da mesma forma que possibilitava que Venus e Júpiter ajustassem os destinos humanos. O fluidium tomava forma no conceito Newtoniano de éter, um fluido invisível que permearia o espaço e serviria como meio estático para a gravitação e o magnetismo, bem como sensações e estímulos nervosos. Para Newton, o éter servia para explicar como os corpos distantes do sistema solar comunicavam-se uns com os outros, e ao mesmo tempo livrar-se da abominável ideia de um universo em que existisse o vácuo. Mas como o próprio trabalho de Mesmer mostra, o éter também funcionava como solo intermediário para todo tipo de intuições animistas e forças ocultas que se recusavam a aceitar as engrenagens e alavancas da cosmologia mecanicista. Dado o lado alquimista do próprio Newton, isso não deveria ser uma surpresa; ele mesmo imaginava que o éter estava abundante de um espírito vital, e mesmo sua linguagem de “atração” gravitacional carregava um traço de Eros, a cola espiritual que os neoplatônicos acreditavam manter o cosmos unido.

Trechos I

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--- Meu pensamento muitas vezes segue circuitos espirais de realimentação – idéias que vão recebendo adições como o fluxo de um rio recebe afluentes, para depois chegar a um estuário, evaporar e voltar a seu leito, com águas misturadas. Quando estou cansado ou sob algum tipo de stress, chega um momento em que me distraio e [...]

Dealing with daemons

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--- Lidar com demônios não é controlá-los. Mesmo quando parece. Sempre se trata de uma negociação, conquista na dualidade – quem avança sempre cede, e vice-versa. Ordem, inversão, interpretação, reflexo. Cibernética mística. O caos e a previsibilidade. A resposta é tão irrelevante quanto a pergunta. Importam a formulação e a consciência do equívoco. [...]

Faça suas macumbas sem sair de casa!

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--- Macumba Online, dica da Maira Já pensou em fazer trabalho pra alguém? Tem preguiça de ir a um terreiro? Gosta de serviços ao estilo delivery, tudo feito de casa mesmo? Seja qual for o motivo, se você deseja fazer um trabalho para alguém, este é o local. Aqui você pode encomendar diversos trabalhos e despachos que [...]

No Mil Platôs

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--- No Mil Platôs v. 4: Os feiticeiros sempre tiveram a posição anômala, na fronteira dos campos ou dos bosques. Eles assombram as fronteiras. Eles se encontram na borda do vilarejo, ou entre dois vilarejos. O importante é sua afinidade com a aliança, com o pacto, que lhes dá um estatuto oposto ao da filiação. Com o [...]

n’A Alma do Mundo

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--- Eduardo Viveiros de Castro, no Memória do Futuro (publicação do Itaú Cultural): “Toda a economia no sentido amplo da palavra consiste em certo agenciamento das relações entre a linguagem e as coisas, e essas distinções não são mais possíveis no mundo etnografado por pesquisadores como Julian Dibbell e antropólogos tradicionais. Os dois são chamados normalmente de [...]

HERMETISMO E GNOSTICISMO NAS REDES ELETRÔNICAS

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--- Procurando uma versão eletrônica de um trecho do cibercultura, de André Lemos, achei nessa página no geoticies (!): Espaço Cultural Indígena. A versão é um pouco diferente do livro, mas vai abaixo o trecho todo, que tem bastante a ver com a tecnomagia: O termo hermetismo é empregado para descrever a literatura hermética, [...]

Inserindo algo no circuito

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--- Mensagens de alhures me tinham avisado, um mensageiro de amarelo traria um pacote. Quando eu já esquecera o assunto, chegou. Um pacote com objetos mágicos e instruções. Seguindo uma das possíveis tradições pessoais, ignorei as instruções (não que o oposto surtisse efeito contrário) e levei os talismãs a passear. Nem o barbudo nem o grego falaram [...]