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Cidades post-it

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Fiquei sabendo que o projeto Post-it Cities (cuja exposição eu visitei em Barcelona) realiza um seminário em sampa semana que vem. Vou ver se apareço ou acompanho o stream (mas não sei se ele roda em software livre).

Redes

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Nos últimos dias tenho folheado de maneira descompromissada algumas publicações que recebi recentemente da Holanda: Organized Networks, de Ned Rossiter; From Weak Ties to Organised Networks, publicação pós-Wintercamp (que já comentei por cima aqui); e a caixa e-culture, uma caixa com um DVD, um folheto e três livros. Não foi de propósito, mas isso me pegou no meio do planejamento e primeiras conversas relacionadas à aplicação dos recursos do Prêmio de Mídia Livre que a MetaReciclagem levou, e acabei estendendo alguns insights a essa busca mais prática.
Enquanto busca de identidade de rede, a MetaReciclagem já passou por um monte de fases. Desde o começo como um subgrupo do projeto metáfora, passando pela dissolução influenciando grandes projetos de governo, até a fase atual em que muitas vezes parece que a potência de articulação e colaboração se esgotou, até que aparece vida em um canto esquecido, até que alguém volta a se movimentar naquele espaço simbólico depois de alguns anos em silêncio, até que os olhares e afinidades se reencontram em novas buscas. Acho que em todas essas fases, a única constante é a incerteza sobre o que vem a seguir. Daí que quando eu pego alguns desses estudos de matriz europeia, chega a me incomodar a sensação de que estão tentando enquadrar uma classe de fenômeno que não se presta muito a classificações e determinações.

Fôlegos

Fui no fim de semana a Porto Alegre para uma festa de família. A volta pra São Paulo é sempre um choque, e dessa vez, jogado no banco de trás do carro de uma amiga que foi gentil de nos buscar, fiquei pensando que uma das principais características de sampa é o anonimato. E ele tem consequências boas e ruins: de um lado a sensação de insegurança total em qualquer lugar além da própria rua (e também nela) e uma ignorância inevitável a respeito dos mais de 80% da cidade que qualquer pessoa deixa de conhecer. Por outro lado, a sensação de liberdade, de possibilidade de reiniciar a vida, de oportunidades escorrendo pelos bueiros malcheirosos, de que sempre é possível conhecer uma nova pessoa interessante na padaria da esquina.

São Paulo me cansa. Faz mal mesmo. Uma semana em sampa e já preciso de férias. Mas eu sempre volto. Nas palavras de VS, é "uma porra de um ímã". Difícil deixar de orbitar em torno dela, e essa relação chega a ser um pouco doentia, viciante. Mas a gente segue. São Paulo também é uma cidade muito interessante, cheia de história recente amontoada em camadas, transformações mais rápidas do que as pessoas podem acompanhar, ciclos de expansão e decadência acontecendo simultaneamente, às vezes à distância de uma caminhada curta. Novos horizontes de desenvolvimento, antigas promessas abandonadas (e depois retomadas, e então abandonadas mais uma vez). A pujança e a precariedade, o potencial e a desconfiança. Terra de crenças, loucuras, individualismo compartilhado, ignorâncias mútuas, muito medo e muita boa vontade.

E a gente segue. Nem moro mais, mas não abandono. Não vejo outra maneira.

Pela libertação

Ecoando aqui o manifesto publicado no GVP pela libertação da Caroline Pivetta da Mota.

Desurbanizando

Um assunto que reapareceu no meu relato do mobilefest é uma questão aberta sobre como as tecnologias da informação podem reformular o que a gente entende por vida urbana. Tomando como exemplo minha própria vida, acho que a facilidade de conexão dá espaço para uma desurbanização (ou quase, a ida para uma cidade menor como Ubatuba para viver em um espaço mais amplo e com mais gente do que sampa permitiria, e todas as conseqüencias no cotidiano e nas relações sociais). E acho que dá pra ver alguma similaridade com outras coisas:

  • A Casa Maluca de Tati em Pipa;
  • A obra da casa 100linhas do Alê no Bonete;
  • A Casa da Alegria de Tininha e Balbino em Arembepe;
  • Um pouco da busca do eduf em Três Coroas (uma busca que me parece mais interna do que de ambiente, mas acaba esbarrando em assuntos parecidos);
  • A pesquisa eterna das terraslivres (tag inspirada by dpadua).

Sensação de uma possível conexão, ainda que solta, e com uma diversidade em potencial maior do que em outras redes.

Cidadejando

Mês passado, peguei o penúltimo dia da exposição Post-it City, no CCCB. Cheguei lá a partir de um convite que recebi por email de Francesco Jodice, que conheci em Sampa. A base da mostra eram as camadas que se acumulam em cima da idéia comum de "cidade": estruturas móveis e piratas, movimentos não planejados, dinâmicas sociais. Fiquei bastante feliz com o caminho de pesquisa por lá, e cheguei a ficar cansado ao tentar passar o tempo necessário em cada um dos trabalhos expostos. Bastante material, muitos insights e idéias expostas de uma maneira clara e acessível. Comecei a juntar com todo o caminho de pensar em gambiarra como adaptabilidade e criatividade cotidiana, e acho que algumas coisas boas vão rolar no futuro. Em paralelo, voltei a pensar na questão urbana. Nas últimas semanas, alguns bons textos apareceram por aí que têm a ver com isso tudo:
Um post excelente no we make money not art falando sobre uma palestra de Juan Freire ano passado. Selecionei alguns trechos:

A ilha das crianças perdidas

Achei no ciborgs um parágrafo de um artigo bem interessante sobre um fenômeno japonês, os freeters, classe urbana sub-empregada e hiperconectada, que em alguns casos aluga baias em cibercafés por períodos de seis horas pagando menos que o mesmo tempo em um hotel ou algo assim.

Na sua maioria, eles estão aí para surfar na Web, enquanto os outros buscam ocupar o seu tempo livre, assistir à televisão ou ainda descansar em meio à penumbra de um lugar confortável, longe da barulheira das ruas dos bairros agitados. Alguns fizeram desses cafés a sua toca. Eles são os “refugiados da Internet”: jovens de 20 a 30 anos que vivem de bicos, passam de um ao outro e não ganham o suficiente para conseguir arcar com o preço de um alojamento ou de um quarto de hotel. Nos cibercafés, eles podem passar seis horas pelo preço de 1.500 ienes (cerca de R$ 24), ou até menos nos bairros periféricos. A maioria dos grandes estabelecimentos dispõe de uma centena de compartimentos.

O original é um artigo no Le Monde, que parece ter sido traduzido pelo UOL. A íntegra em português tá aqui.

 

Divercity

Em 2006, não me lembro bem como, um artista italiano chamado Francesco Jodice me enviou um e-mail. Pedi a ele que me encontrasse na casinha pra conversar. Ele chegou em dia de reunião, aquela zona, mas conseguimos trocar uma idéia ali no meio. Ele procurava algum ráquer em São Paulo para um vídeo que preparava para a Bienal. Indiquei o Fernando, e não ouvi mais falar dele. Cheguei a tentar assistir o vídeo na Bienal, mas não tive paciência de assisti-lo até o fim. Há uns dias, Mbraz mandou o link pro vídeo publicado no site da Tate Modern. Tô assistindo agora, e gosto bastante. Mostra um pouco das contradições de sampa, que têm contrabalançado a saudade que sinto da Gotham City brasileira. Recomendo:

http://www.tate.org.uk/modern/exhibitions/globalcities/diversity.shtm

De quem é a culpa do trânsito?

O apocalipse motorizado levanta mais uma vez a questão do trânsito de São Paulo, uma cidade feita não para seres humanos, mas seres de lata. E eu penso nas cidades européias com suas calçadas largas, ciclovias e transporte público eficiente, e me dá uma preguiça que é quase um pânico de voltar pra sampa.